São Paulo – A manhã desta terça-feira (10) amanheceu com os portões da Escola Estadual Fernão Dias, na zona oeste paulistana, fechados pelos próprios estudantes. Cerca de 250 alunos decidiram pela ocupação da unidade em protesto contra o projeto de reorganização escolar do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A medida estadual prevê o fechamento de 94 escolas e a transferência compulsória de mais de 311 mil estudantes em todo o estado.

Na Fernão Dias, a proposta do governo pretende extinguir o ensino fundamental e o período noturno, mantendo apenas um ciclo de ensino. Para os jovens, a mudança ignora a realidade local e resultará em salas superlotadas em outras unidades, enquanto salas de aula na Fernão Dias permanecerão vazias.

Formação política e resistência coletiva

Organizados em assembleia logo no início da ocupação, os estudantes barraram a entrada de coordenadores e professores, assumindo a gestão do espaço. “Escola é formação política, não é só entregar trabalhinho e fazer prova”, afirmou uma aluna do terceiro ano, resumindo o espírito do movimento. A ação conta com o apoio velado de funcionários e pais de alunos, que enxergam na ocupação uma luta legítima por direitos.

A união foi selada com o grito “alunos de todas as quebradas, tamo junto”, estendendo o apoio à escola de Diadema que também foi ocupada na noite anterior. Os estudantes aprovaram a entrada de alunos de outras instituições para que a experiência de autogestão seja compartilhada e reproduzida em mais unidades da rede estadual.

Autogestão e pressão policial

Dentro da escola, o clima é de organização rigorosa. Foram criadas comissões para cuidar da alimentação, limpeza e segurança. Além das tarefas práticas, o cronograma inclui rodas de discussão sobre os impactos da política educacional do PSDB, futebol e música.

A reação do governo foi imediata: a vice-diretora da unidade acionou a Polícia Militar, que cercou a escola com cerca de 15 viaturas. Apesar da presença policial, os estudantes ainda não definiram um prazo para o fim da ocupação, reafirmando que o objetivo é forçar o governo estadual a escutar os principais afetados pela reforma: os alunos.

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