TEERÃ | IRÃ – O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã dirigiu um duro recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitando qualquer tentativa de classificar as recentes movimentações diplomáticas como um avanço. O porta-voz do Comando Geral Central de Khatam al-Anbia foi enfático ao afirmar que Washington não obterá benefícios de seus investimentos no Oriente Médio, nem conseguirá o retorno dos preços de energia aos patamares anteriores.

Segundo o comando militar, a estabilidade na região só será possível sob as condições impostas por Teerã e garantidas pelo Exército iraniano. A declaração ocorre em um momento de máxima tensão, após o início das agressões conjuntas entre Israel e Estados Unidos contra o território iraniano no final de fevereiro.

“Não chame sua derrota de ‘acordo’. Até que chegue o momento adequado para a nossa vontade, nada voltará a ser como antes. Isso só se tornará realidade quando a ideia de agir contra a nação iraniana tiver sido completamente apagada de suas mentes imundas”, afirmou o porta-voz iraniano.

Escalada militar e sucessão no poder

A crise atingiu um ponto crítico na madrugada de sábado, 28 de fevereiro de 2026, quando bombardeios liderados por Israel e EUA resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O ataque também vitimou altos cargos militares, como o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtabá Khamenei, filho do falecido líder, foi escolhido como sucessor para o comando da República Islâmica.

Em retaliação, Teerã lançou sucessivas ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio. Além disso, ataques massivos atingiram instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos em diversos países da região, em resposta direta às ofensivas contra a infraestrutura energética iraniana.

Crise energética e bloqueio de Ormuz

O impacto do conflito já é sentido globalmente com o bloqueio quase total do estreito de Ormuz por parte do Irã. A rota é o principal corredor marítimo do planeta, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás comercializados mundialmente. A interrupção do tráfego disparou os preços dos combustíveis nos mercados internacionais.

Enquanto o sistema de defesa israelense enfrenta dificuldades para conter os projéteis iranianos, Teerã mantém uma postura de rejeição aos enviados de Donald Trump, condicionando qualquer diálogo à cessação das hostilidades e ao reconhecimento da nova realidade geopolítica estabelecida pela resistência militar.

Médicos Sem Fronteiras alerta para colapso humanitário em Gaza após restrições de Israel