Três jacutingas (Aburria jacutinga), uma das espécies mais emblemáticas e ameaçadas da Mata Atlântica, acabam de dar mais um passo importante rumo à sobrevivência. Nascidas no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, as aves foram enviadas nesta terça-feira (17) ao distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos (SP), onde passarão por um processo de avaliação, treinamento e possível reintrodução em habitat natural.

A iniciativa faz parte do projeto “Voa, Jacutinga”, coordenado pelo Parque das Aves em parceria com a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil). Com idades entre 6 e 10 meses, os três filhotes — um macho e duas fêmeas — são fruto do trabalho reprodutivo de três casais diferentes, dentro de um programa que segue rigorosos protocolos de conservação.

Certificado em 2023 pela Associação Latino-Americana de Parques Zoológicos e Aquários (ALPZA), o “Voa, Jacutinga” tem como missão aumentar a população da espécie por meio da criação controlada e reintrodução de indivíduos em áreas onde a ave já desapareceu. Além disso, o projeto promove ações educativas voltadas à conscientização ambiental. “O nascimento desses filhotes e sua transferência segura para programas de reintrodução reforçam a importância do trabalho que desenvolvemos. Já somamos 22 jacutingas enviadas à SAVE Brasil desde o início da parceria, uma contribuição concreta para a recuperação da espécie”, afirma Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves.

A operação de envio das aves envolveu um esforço coletivo entre diferentes áreas do Parque. A equipe técnica monitorou o crescimento dos filhotes, realizou exames laboratoriais e garantiu o cumprimento dos protocolos sanitários. A equipe de infraestrutura construiu caixas de transporte seguindo padrões internacionais. O transporte aéreo até São Paulo foi realizado através do programa Avião Solidário, da LATAM, com apoio da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). Na sequência, as aves seguiram por via terrestre até o centro de reintrodução da SAVE Brasil.

Jacutinga: guardiã das sementes da floresta

Endêmica da Mata Atlântica, a jacutinga desempenha um papel vital na manutenção da biodiversidade como dispersora de sementes, especialmente da palmeira-juçara (Euterpe edulis), espécie que também enfrenta forte pressão de extinção. “O projeto também busca alertar o público sobre os impactos do consumo ilegal do palmito-juçara, mostrando como a saúde da fauna e da flora estão intimamente ligadas”, reforça Paloma. Desde 2017, o Parque das Aves colabora com o Projeto Jacutinga, da SAVE Brasil, que atua na Serra da Mantiqueira com atividades de pré-soltura, reintrodução, monitoramento e engajamento comunitário. A parceria tem como objetivo restaurar populações da espécie em áreas onde ela foi extinta localmente.

Completando 30 anos em 2024, o Parque das Aves é um centro de referência em resgate, cuidado e conservação de aves da Mata Atlântica. Localizado em Foz do Iguaçu, é o atrativo turístico mais visitado do Paraná depois das Cataratas. Como instituição privada, depende do apoio dos visitantes para manter suas atividades, que incluem a visitação ao parque, consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico e compras na loja de souvenirs.