São Paulo – Com o registro oficial da Rede Sustentabilidade (18), Marina Silva consolida seu espaço no tabuleiro político nacional. Em análise profunda sobre a conjuntura econômica e social, a ex-ministra defende que as votações obtidas em 2010 e 2014 representam o “piso” de um eleitorado que busca romper com a polarização tradicional entre petistas e tucanos.
Para Marina, a raiz da crise de governabilidade enfrentada pela presidente Dilma Rousseff não reside apenas na oposição externa, mas em um modelo de coalizão baseado na distribuição de cargos por apoio parlamentar — prática que ela classifica como a “entrega de pedaços do Estado”.
Crise Econômica e o “Ganhar Perdendo”
Marina Silva critica duramente a condução econômica do governo Dilma, afirmando que a presidente “ganhou perdendo” ao extrapolar limites éticos na campanha e governar sem um programa claro. Segundo a ex-senadora, o distanciamento dos fundamentos econômicos, iniciado em 2008, comprometeu as políticas de inclusão social.
“A presidente começa a perder para ela mesma. Quando diz que não existe crise estrutural, está ignorando o orçamento com déficit de R$ 30 bilhões e o crescimento zero”, pontuou Marina.
Operação Lava Jato e Reforma Política
Questionada sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, Marina defende a independência das investigações como um caminho sem volta para o fim da impunidade no Brasil. Para ela, a mudança de postura dos agentes públicos e privados só ocorrerá quando as instituições provarem que a corrupção não passará “nas malhas da justiça”.
Sobre o financiamento de campanhas, a líder da Rede Sustentabilidade defende:
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Fim da dependência econômica: A lógica deve ser a de “muitos contribuírem com pouco”.
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Transparência: A combinação entre financiamento público e doações de pessoas físicas é apontada como a saída para evitar que doadores se sintam “donos” dos candidatos.
Meio Ambiente e o Legado no Ministério
Marina relembrou sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, destacando o rigor técnico em processos complexos, como o licenciamento das usinas do Rio Madeira. Ela refutou o rótulo de “ministra dos bagres”, argumentando que sua gestão priorizou critérios sociais e ambientais que permanecem consistentes até hoje.
Sobre os desafios climáticos e a COP 21 em Paris, Marina alerta que as metas brasileiras estão aquém do potencial do país. Ela defende a precificação global do carbono e a proteção das florestas como pilares para uma agricultura próspera e segurança hídrica.
O Futuro da Terceira Via
Com 21% dos votos na última eleição, Marina acredita que o Brasil está pronto para superar o binômio PT-PSDB.
“O Brasil hoje é um país cindido e isso precisa ser reparado”, afirmou. Sobre 2018, ela mantém o tom cautelar, afirmando que sua prioridade é melhorar a qualidade da política e das instituições, em vez de ocupar uma “cadeira cativa” de candidata.
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