Entidades que atuam na defesa dos direitos humanos na fronteira criaram um Comitê de Solidariedade pelas Presas de Minga Guazú. A iniciativa surge após denúncias de violações enfrentadas por detentas em um presídio de segurança máxima no Paraguai, conhecido pelas condições precárias e relatos de maus-tratos.
O comitê, que inclui membros do colegiado do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP-FI), do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), e da Nosotros Cultura e Voz, além de outras organizações brasileiras e internacionais, trabalhará de forma solidária, provendo ações humanitárias. O objetivo é arrecadar alimentos e materiais de higiene pessoal para as detidas, além de buscar informações independentes sobre a situação delas, que incluiria abusos e falta de atendimento médico para casos graves.
Denúncias de condições desumanas e tortura
As denúncias apontam que as mulheres estão em um presídio de segurança máxima que, segundo relatos, oferece condições cruéis e de “tortura permanente”. Entre as presas mencionadas estão Carmen e Laura Villalba e Francisca Andino, que alegam sofrer tortura física e psicológica, além da negação do devido processo legal. Os relatos atribuem esses crimes ao governo do Paraguai. O presídio é descrito por alguns como o “Guantánamo Paraguaio”, em alusão ao presídio estadunidense de tortura em Cuba.
O advogado Salvador Sánchez, que defende as prisioneiras, informou que seus pedidos de Habeas Corpus foram rejeitados. A transferência de Francisca Andino, uma mulher de 65 anos com problemas de saúde, teria sido negada sob a alegação de que ela estaria em “bom estado”. Carmen, que é asmática, também enfrentaria dificuldades devido às condições de ventilação inadequadas.
“As condições são desumanas: parte das presas está isolada em celas de dois metros por um e meio, sem comunicação, enfrentando temperaturas extremas e condições insalubres. A água disponível é imprópria para consumo, e a comida é escassa e de má qualidade. As denúncias sobre fome e sede são constantes, e as presas vivem em um ambiente que parece projetado para a tortura”, afirmou o advogado Salvador Sánchez.
O Comitê de Solidariedade está organizando um dia de arrecadação para que a sociedade civil e entidades possam contribuir com doações de alimentos e materiais de higiene pessoal.
Nota de Solidariedade
O Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu vem a público, por meio dos membros organizados em seu Colegiado, trazer sua total e irrestrita solidariedade às presas políticas Laura, Marta e Francisca Villalba, que se encontram presas em Minga Guazú, Paraguai.
As presas estão tendo tratamento cruel, desumano e degradante, não podendo receber a visita de seus pais, mães e filhos.
No dia de ontem, o advogado Salvador Sanchez, após passar por humilhações, conseguiu romper com o isolamento e denunciou em entrevista que Laura, Marta e Francisca estão em perigo devido às torturas a que estão sendo submetidas. As brutalidades chegaram, em pleno inverno, aos cobertores das presas.
Diante dessas graves violações, conclamamos que sejam realizadas ações humanitárias de solidariedade. Nos próximos dias, vamos organizar campanhas de doação de agasalhos, absorventes e produtos de higiene.
Foz do Iguaçu, 05 de junho de 2025
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu
Colegiado