Foz do Iguaçu (PR) – A Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) lidera uma mobilização em múltiplas frentes para viabilizar o início das obras de acesso ao novo Porto Seco, na BR-277, além de uma série de adequações consideradas urgentes na rodovia. Um estudo técnico detalhando gargalos e riscos operacionais já foi encaminhado a instâncias governamentais e à EPR Iguaçu, concessionária responsável pelo trecho.

A articulação reúne entidades representativas do comércio, do turismo e da logística, que se somam ao pleito liderado pela ACIFI. O documento alerta que a conclusão do novo Porto Seco, prevista para o fim deste ano, aliada à expansão do setor logístico, deve elevar de forma significativa a pressão sobre a BR-277, exigindo intervenções imediatas para garantir fluidez e segurança viária.

A rodovia é considerada o principal corredor logístico do Oeste do Paraná, conectando Foz do Iguaçu ao Porto de Paranaguá, aos grandes centros produtivos e consumidores do Estado e aos eixos do Mercosul, integrando o hub trinacional entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Crescimento do tráfego e risco de colapso urbano

Com a consolidação de empresas do setor e a ampliação do espaço aduaneiro, a tendência é de aumento expressivo no tráfego de caminhões pesados e superpesados, o que amplia a pressão sobre uma infraestrutura já sobrecarregada.

Trincheira é defendida como solução mais rápida

O presidente da ACIFI, Danilo Vendruscolo, aponta como prioridade a construção de um acesso em desnível para o novo Porto Seco, na entrada da cidade. Ele lembra que o projeto original previa a obra quando a unidade ainda seria implantada em área pública, cenário alterado após a definição do terreno particular onde o empreendimento está sendo instalado.

Segundo Danilo, o edital de concessão mencionou a necessidade de acesso e retorno em desnível, mas não definiu claramente a responsabilidade pela execução da obra. Diante dessa lacuna, a ACIFI passou a articular uma cobrança conjunta junto ao Governo do Estado, à concessionária do Porto Seco, a Multilog, e à EPR Iguaçu.

A proposta defendida é a antecipação da obra em formato de trincheira, em substituição ao projeto originalmente previsto na concessão. A avaliação é de que a solução tem engenharia mais simples, menor complexidade ambiental e pode ser executada e concluída em poucos meses, permitindo que o acesso esteja pronto junto com a inauguração da unidade.

Sem a obra, alerta o presidente da ACIFI, o tráfego no perímetro urbano tende ao colapso, já que caminhões seriam obrigados a circular por vias marginais e áreas residenciais para acessar o Porto Seco atual e retornar à nova estrutura, tornando bairros e empresas praticamente inacessíveis em horários de pico.

Estudo aponta gargalos e necessidade de adequações

O estudo técnico anexado ao pleito destaca que, no trecho urbano de Foz do Iguaçu, a BR-277 acumula funções de corredor de longa distância, via de acesso urbano e eixo de ligação com áreas aduaneiras, logísticas e industriais. Sem intervenções, o aumento do fluxo pode provocar retenções, conflitos entre tráfego pesado, urbano e turístico, redução da fluidez e maior risco de acidentes.

Rodovia é eixo das principais forças econômicas

Para a ACIFI, a BR-277 não pode ser tratada como uma via comum, mas como infraestrutura estratégica de suporte às principais atividades econômicas da região. A rodovia atende o turismo nacional e internacional, o comércio fronteiriço, as operações aduaneiras, a logística e o transporte rodoviário de cargas internacionais, além de ser fundamental para a mobilidade diária de moradores de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e municípios vizinhos.

Entre as adequações solicitadas estão a implantação de passarelas para pedestres, ampliação e requalificação de ciclovias, aumento da capacidade viária, criação de faixas adicionais, adequação de faixas de aceleração e desaceleração para veículos pesados, reforço estrutural do pavimento das vias marginais e a extensão dessas marginais até o km 720, em Santa Terezinha de Itaipu. O pleito também inclui a implantação de passagens específicas para veículos de carga, de modo que as obras sejam concluídas simultaneamente à abertura do novo Porto Seco.

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