A saída dos filhos para o ensino superior não precisa ser um momento traumático, segundo especialistas. Com o fechamento das matrículas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para 2025, muitos pais e filhos celebraram as novas conquistas acadêmicas. Entretanto, a transição também traz desafios emocionais, especialmente para aqueles que enfrentarão a separação física.
A síndrome do ninho vazio é um fenômeno comum nessa época do ano, quando os jovens começam a se preparar para deixar o lar. “Esse momento simboliza o encerramento de um ciclo importante na vida familiar”, afirma Tai Castilho, psicoterapeuta de casal e família e fundadora do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo. Ela destaca que essa separação é uma das mais significativas que os pais vivenciam.
Anahy D’Amico, psicóloga e autora do livro “O Amor Não Dói”, também concorda. “Os pais dedicam anos à criação dos filhos, e essa função molda a identidade deles. A saída dos filhos pode gerar sentimentos de tristeza e solidão”, explica. Para Anahy, muitos pais investem duas décadas em suas funções parentais e, quando essa tarefa chega ao fim, podem se sentir perdidos.
A psicóloga observa que alguns pais tentam adiar a saída dos filhos por medo ou apego, o que pode gerar tensões. “Sentir-se triste ou inseguro é natural, mas tentar impedir essa transição não é saudável”, alerta.
Diante deste cenário, como tornar essa transição mais tranquila para todos os envolvidos? O Estadão conversou com especialistas e famílias que passaram por essa experiência, oferecendo orientações sobre como se preparar para o momento da despedida.
Anahy D’Amico destaca que a ausência física do filho altera a dinâmica familiar, gerando saudade e ansiedade. Apesar de a tecnologia facilitar a comunicação, as preocupações permanecem.
Após a partida dos filhos, muitos pais se sentem perdidos. “Os pais frequentemente se dedicam intensamente aos filhos, mas o que fizeram por si mesmos nesse tempo?”, questiona Tai Castilho. Ela ressalta a importância de os pais buscarem novos objetivos e prazeres fora do papel parental.
Para Tai, é fundamental redescobrir interesses e hobbies que não estejam ligados aos filhos. “Buscar prazer em outros aspectos da vida, como amizades e relacionamentos, é essencial”, afirma. Anahy concorda e sugere que os pais adotem estratégias para se adaptarem às mudanças e redefinirem suas identidades pessoais.