O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara-se para realizar sua eleição interna para o comando nacional, a primeira em sete anos. Apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestar o desejo por uma candidatura unificada para a presidência da sigla, cinco nomes apresentaram suas pré-candidaturas e se colocam na disputa: Edinho Silva, Valter Pomar, Romênio Pereira, Washington Quatá e Rui Falcão.
Em suas mais de quatro décadas de história, o PT passou por diferentes posicionamentos ideológicos, transitando de um espectro associado à “luta dos trabalhadores” e à crítica à exploração capitalista, para alianças com o centro político visando a governabilidade. A sigla também se notabilizou pela diversidade de tendências internas que chegou a abrigar (mais de dez) e pela figura central e histórica de Luiz Inácio Lula da Silva em sua trajetória, desde a liderança sindical até a presidência da República.
Apelos Por Unidade na Disputa Interna
Atualmente, lideranças como o presidente interino da sigla, senador Humberto Costa (PT-PE), e o próprio presidente Lula, buscam articular a união das pré-candidaturas em torno do nome de Edinho Silva. Edinho, ex-prefeito de Araraquara, também exerceu a função de Secretário de Comunicação Social durante o governo Dilma Rousseff.
Humberto Costa, em sua articulação, se reuniu há pouco mais de dez dias com o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, para discutir a possibilidade de unificação. Sobre o apoio de Lula a Edinho, Quaquá afirmou: “Edinho disse que tem o apoio do Lula, mas nunca ouvi o Lula falar que o apoia”.
Costa também manifestou a intenção de dialogar individualmente com os demais pré-candidatos, incluindo o deputado federal Rui Falcão (SP), que presidiu o PT entre 2011 e 2017 e é considerado uma das figuras mais experientes da sigla. Apelando pela unidade, o senador declarou: “Rui é um excelente nome, todos são. Mas não podemos chegar à eleição divididos. As reuniões devem acontecer com todos os candidatos, separadamente”.
Rui Falcão, ao apresentar suas propostas para a condução do partido, enfatizou que seu foco principal é a reeleição presidencial. Ele afirmou que “no curto prazo, até para garantir mudanças estruturais no Brasil, todo empenho está voltado para a reeleição de Lula em 2026”.
Fontes internas do PT indicam que o desejo do presidente Lula por uma chapa única não se restringe ao apoio a Edinho Silva – reconhecido por suas habilidades de diálogo e conciliação. Segundo esses relatos, Lula considera que tais características serão essenciais para a articulação de uma eventual candidatura própria em 2026. No entanto, a presença de Rui Falcão na disputa interna poderá levar Lula a adotar uma postura mais discreta em relação ao apoio a Edinho, dado o apreço e a gratidão que o presidente nutre por Falcão, conforme relatam interlocutores.
Um dos pré-candidatos, Edinho Silva, comentou sobre o cenário da disputa e a dinâmica interna do partido. “Minha pré-candidatura não é de oposição a ninguém. O PT é um partido democrático e, como tal, tem contradições internas. Isso é saudável e o fortalece. Cada candidatura representa uma visão de partido e todas elas são legítimas e precisam ser respeitadas”, declarou Edinho.
A antecessora de Humberto Costa na presidência do partido, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, não se colocou na disputa. Ela liderou o PT em um período considerado desafiador para a sigla, como durante a prisão de Lula. Atualmente, sua atuação se concentra em articular a relação do Governo Federal com o Congresso Nacional e negociar a votação de projetos prioritários, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil.
Detalhes do Processo Eleitoral Interno
A eleição interna do PT para o comando nacional está agendada para o dia 6 de julho, em primeiro turno. Um eventual segundo turno, caso necessário, ocorrerá em 20 de julho. A regra de elegibilidade para votar foi alterada em dezembro pelo Diretório Nacional da sigla, permitindo a participação de filiados até 28 de fevereiro de 2025. Anteriormente, a resolução exigia um prazo mínimo de filiação de um ano antes do pleito.
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados até 4 de outubro de 2024, o Partido dos Trabalhadores contava com 1.653.361 filiados. O mandato para o presidente da sigla tem duração de quatro anos, com permissão para uma reeleição.
Até a noite de sexta-feira, entre os cinco nomes que manifestaram interesse na disputa, apenas Washington Quaquá ainda não havia formalizado sua candidatura. O prazo final para o registro formal de candidaturas encerra nesta segunda-feira, dia 19 de maio.