O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem a maior rejeição entre os principais nomes cotados para a disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (9).
O levantamento mostra que 68% dos eleitores brasileiros afirmam que não votariam nele em hipótese alguma. Em janeiro, a taxa era de 55%, um aumento de 13 pontos percentuais em menos de um ano.
Apenas 20% dos entrevistados disseram que votariam no parlamentar, enquanto 12% afirmaram não o conhecer.
O deputado, que atualmente mora nos Estados Unidos desde março, tem feito declarações e reuniões com aliados do ex-presidente Donald Trump, o que tem gerado críticas de setores políticos e sociais no Brasil.
Atuação internacional e investigações
Eduardo Bolsonaro divulgou vídeos em que relata encontros com autoridades norte-americanas, nos quais teria solicitado sanções contra o governo brasileiro.
Por causa dessa atuação, ele é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de coação no curso do processo — o inquérito apura se suas ações no exterior tiveram o objetivo de beneficiar o pai, Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe de Estado.
A pesquisa indica que o ex-presidente Jair Bolsonaro também enfrenta alta rejeição, de 63%, seguido por Michelle Bolsonaro (61%) e Ciro Gomes (60%).
Lula mantém liderança nos cenários eleitorais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com rejeição de 51%, mas lidera todos os cenários simulados pela Genial/Quaest para o primeiro turno das eleições de 2026.
Em projeções de segundo turno, o atual presidente venceria qualquer adversário com vantagem mínima de dez pontos percentuais, segundo o instituto.
Contexto e metodologia
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 5 e 8 de outubro de 2025, com 2.000 entrevistas presenciais em todos os estados brasileiros.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Percepção pública e desgaste político
A alta rejeição a Eduardo Bolsonaro ocorre em meio à crise de imagem da família Bolsonaro após investigações que envolvem o ex-presidente e aliados.
Analistas políticos apontam que a projeção de Eduardo como liderança internacional da extrema-direita tem agravado sua impopularidade no eleitorado brasileiro.
“A rejeição consolidada do deputado reflete o desgaste do bolsonarismo e o distanciamento entre a retórica extremada e as pautas que preocupam a população, como economia, segurança e emprego”, avalia o relatório da Genial/Quaest.
Pedido de vista adia votação sobre cassação de Eduardo Bolsonaro
O Conselho de Ética da Câmara adiou a votação do parecer preliminar sobre um dos pedidos de cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O relator, deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), votou pelo arquivamento do processo, mas um pedido de vista coletivo adiou a decisão para o próximo encontro. Caso o parecer seja rejeitado, o processo por quebra de decoro terá prosseguimento.
A representação foi apresentada pelo PT e argumenta que a conduta do deputado nos Estados Unidos é incompatível com o mandato. O partido cita:
- Ataques reiterados contra instituições brasileiras, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros, chamados de “milicianos togados” e “ditadores”.
- A declaração de que “sem anistia para Jair Bolsonaro, não haverá eleições em 2026”.
- A pressão exercida sobre autoridades e setores políticos dos Estados Unidos para impor sanções internacionais contra integrantes do STF, PGR e Polícia Federal.
O PT alega que a conduta é uma “grave ameaça à ordem constitucional e à realização do processo eleitoral”. O deputado ainda é alvo de mais três representações no Conselho.