Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, foi condenado em 2024 por fraude fiscal relacionada ao pagamento a uma atriz pornô durante a campanha de 2016. Na última sexta-feira (10), o juiz Juan Merchan o sentenciou a uma “dispensa incondicional”, uma sentença que reconhece a ocorrência de um crime, mas sem imposição de punição. Com isso, Trump se torna o primeiro líder da Casa Branca a ser designado como “ficha-suja”.

A dispensa incondicional encerra o caso, mas não permite que Trump solicite um indulto presidencial, uma vez que o crime ocorreu em nível estadual. O juiz Merchan observou que a situação apresentada ao tribunal era “singular e notável”, afirmando que “nunca antes” o tribunal havia visto um caso dessa magnitude. Ele destacou que, como presidente, Trump teve uma proteção que não estaria disponível para um cidadão comum.

Durante a audiência, que foi realizada virtualmente a partir de sua residência em Palm Beach, Flórida, Trump se declarou inocente, chamando a experiência de “terrível”. Ele argumentou que o resultado das eleições demonstrou que estava certo em suas ações.

O promotor Joshua Steinglass apresentou ao tribunal “evidências esmagadoras” e enfatizou que Trump não demonstrou remorso por suas ações, o que impactou negativamente a percepção pública sobre o sistema de justiça criminal. Por outro lado, o advogado de Trump, Todd Blanche, contestou as alegações do promotor, caracterizando o caso como uma potencial interferência nas eleições.

Em maio do ano passado, Trump foi considerado culpado por um júri de 34 acusações de falsificação contábil, relacionadas ao pagamento à ex-atriz Stormy Daniels. A promotoria argumentou que o pagamento tinha como objetivo ocultar um relacionamento extraconjugal e influenciar o resultado eleitoral. Provas documentais sustentaram as alegações de falsificação.