Brasília (DF) — Ao final dos três primeiros anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política exterior brasileira consolidou-se como um dos principais vetores da estratégia de reconstrução institucional, econômica e diplomática do país. A retomada de uma agenda internacional intensa reposicionou o Brasil no cenário global, ampliou mercados, fortaleceu o multilateralismo e contribuiu para resultados históricos no comércio exterior e na atração de investimentos.

A atuação internacional foi marcada pela reconstrução de canais diplomáticos, pelo diálogo direto com lideranças globais e pela defesa da soberania nacional em um contexto internacional caracterizado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e desafios econômicos. Segundo o governo, esse movimento devolveu previsibilidade à política externa brasileira e reforçou a imagem do país como parceiro confiável.

Reposicionamento internacional

Desde o início do mandato, o presidente Lula realizou 61 missões oficiais ao exterior, recebeu 32 chefes de Estado e de governo no Brasil, manteve 190 encontros bilaterais à margem de eventos multilaterais e realizou 79 contatos diretos com líderes internacionais, incluindo presidentes eleitos antes da posse e autoridades de organismos regionais e globais.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, avalia que a presença internacional do presidente foi decisiva para ampliar o alcance da diplomacia brasileira. Em balanço divulgado em novembro, o chanceler destacou que a atuação do chefe de Estado permitiu recolocar o Brasil em fóruns estratégicos e fortalecer sua capacidade de articulação política e econômica.

Segundo Vieira, a diplomacia brasileira voltou a projetar uma mensagem clara de compromisso com a paz, a cooperação entre as nações, o respeito ao direito internacional e o fortalecimento das instituições multilaterais.

Relação com os Estados Unidos e o “tarifaço”

Um dos episódios mais sensíveis da política externa no período foi a imposição, pelo governo dos Estados Unidos, de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, especialmente do setor agropecuário. A medida representou um desafio relevante à relação bilateral entre os dois países, que mantêm mais de dois séculos de relações diplomáticas.

Diante da elevação unilateral das tarifas, o governo brasileiro optou por uma estratégia baseada no diálogo diplomático, na negociação técnica e na defesa das regras do comércio internacional. Paralelamente, foi lançado o Plano Brasil Soberano, conjunto de medidas voltadas à mitigação dos impactos econômicos, estruturado em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial.

O esforço resultou, em 20 de novembro, na revogação da tarifa adicional de 40% aplicada a diversos produtos agropecuários brasileiros, como carne, café e frutas. Para o presidente Lula, o episódio reafirmou a opção brasileira por soluções negociadas e pela preservação dos canais institucionais, sem abrir mão da soberania nacional.

Abertura de mercados e diplomacia comercial

Outro destaque da política exterior foi a ampliação do acesso dos produtos brasileiros ao mercado internacional. Ao longo do terceiro mandato, o Brasil abriu mais de 500 novos mercados para exportações, resultado de uma atuação coordenada entre a Presidência da República, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a ApexBrasil.

A estratégia envolveu o fortalecimento das embaixadas como instrumentos de promoção comercial, a diversificação de destinos e a valorização da produção nacional, com foco tanto no agronegócio quanto na indústria e em produtos de maior valor agregado.

Segundo o governo, o avanço no comércio exterior ocorre de forma complementar ao fortalecimento do mercado interno, ampliando oportunidades de geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico.

Recordes no comércio exterior

Os efeitos da política externa se refletiram nos indicadores econômicos. Em 2025, o Brasil registrou exportações de US$ 339,4 bilhões e importações de US$ 276,3 bilhões, alcançando um superávit comercial de US$ 63,1 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 615,8 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Na terceira semana de dezembro, a balança comercial apresentou superávit de US$ 2,1 bilhões, consolidando o desempenho positivo ao longo do ano.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a integração do Brasil às cadeias globais de valor é elemento central da estratégia de crescimento sustentável. Segundo ele, a abertura ao comércio internacional é condição necessária para expansão econômica consistente.

Investimentos estrangeiros

Além do comércio exterior, o país apresentou desempenho expressivo na atração de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Entre janeiro e novembro de 2025, os investimentos somaram US$ 84,1 bilhões, o melhor resultado desde 2014, de acordo com dados do Banco Central.

Para o governo, os números refletem a consolidação de um ambiente econômico mais estável, previsível e atrativo, associado à retomada da credibilidade institucional e ao reposicionamento internacional do Brasil.