BRASÍLIA | DF – O mercado de trabalho brasileiro consolidou um cenário de indicadores recordes no início de 2026. Segundo dados da PNAD Contínua Mensal, divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento real habitual do trabalhador atingiu R$ 3.652, o valor mais alto da série histórica iniciada em 2012. O montante representa um crescimento de 5,4% na comparação anual, sinalizando um ganho real no poder de compra da população.

A pesquisa revela que a população ocupada no país chegou a 102,7 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado pelo instituto. Esse avanço foi acompanhado por uma taxa de desocupação de 5,4%, que repete o menor índice da série, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior. Ao todo, o Brasil possui 1,2 milhão de desempregados a menos do que no mesmo período de 2025.

Queda na informalidade e força da carteira assinada

Um dos destaques do relatório é a trajetória de queda na taxa de informalidade, que recuou para 37,5% — o menor índice desde julho de 2020. Atualmente, 38,5 milhões de brasileiros atuam sem registro formal ou por conta própria sem CNPJ. Segundo o IBGE, esse movimento de formalização tem sido acelerado desde 2023, impulsionado pela expansão do emprego com carteira assinada no setor privado, que hoje abrange 39,4 milhões de trabalhadores.

Para a coordenadora de pesquisas do IBGE, Adriana Beriguy, o impacto positivo do final de 2025 ajudou a amortecer a tradicional queda de contratações no mês de janeiro:

Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

Setores em expansão e massa salarial

A massa de rendimento real habitual — que soma os salários de todos os trabalhadores — atingiu o recorde de R$ 370,3 bilhões, um salto de 7,3% em um ano. Esse volume de recursos circulando na economia é sustentado, principalmente, pelo crescimento em grupamentos específicos de atividades.

O setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias e Administrativas apresentou alta de 4,4% no ano (mais 561 mil pessoas), enquanto a Administração Pública, Educação e Saúde avançou 6,2%, incorporando 1,1 milhão de novos trabalhadores. Em contrapartida, os serviços domésticos registraram redução de 4,2% no contingente de ocupados.

Subutilização e desalento em queda

O relatório também traz boas notícias sobre a subutilização da força de trabalho, que caiu para 13,8% (contra 15,5% no ano anterior). O número de pessoas desalentadas — aquelas que desistiram de procurar emprego por falta de perspectiva — também recuou 15,2%, totalizando 2,7 milhões de brasileiros, o que reforça a percepção de um mercado de trabalho mais dinâmico e receptivo.

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