A taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,6% no trimestre encerrado em agosto de 2024, segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado representa uma redução de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (7,1%) e uma queda de 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano passado (7,8%). Este é o menor índice de desemprego para agosto desde o início da série histórica da PNAD, que começou em 2012.

Recorde na População Ocupada

A população desocupada também apresentou uma queda significativa, alcançando 7,3 milhões de pessoas — o menor número desde janeiro de 2015. A redução foi de 6,5% em relação ao trimestre anterior, com 502 mil pessoas a menos buscando trabalho, e uma diminuição ainda mais acentuada de 13,4% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, resultando em 1,1 milhão de pessoas a menos à procura de ocupação.

O número de pessoas ocupadas atingiu um novo recorde de 102,5 milhões, com um crescimento de 1,2% (mais 1,2 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 2,9% (mais 2,9 milhões de pessoas) em comparação ao ano anterior. A taxa de ocupação, que representa o percentual de pessoas empregadas entre a população em idade de trabalhar, subiu para 58,1%, o maior nível registrado para um trimestre encerrado em agosto desde 2013.

Expansão da Demanda por Trabalho

Para Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, “a baixa desocupação reflete a expansão da demanda por trabalhadores em diversas atividades econômicas”. A pesquisa, que abrange 211 mil domicílios em 3.500 municípios, mostra uma recuperação no mercado de trabalho que se aproxima dos níveis de 2013.

Recordes em Carteiras Assinadas

Os dados do IBGE também revelaram que o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 38,6 milhões, um novo recorde. Esse aumento de 0,8% em relação ao trimestre anterior representa 317 mil novas contratações. Comparado ao ano passado, o crescimento foi de 3,8%, ou 1,4 milhão de trabalhadores a mais.

No segmento de trabalhadores sem carteira, o número alcançou 14,2 milhões, também um recorde, com um aumento de 4,1% no trimestre e 7,9% em comparação com 2023.

Força de Trabalho e Perspectivas Futuras

A força de trabalho total, somando pessoas ocupadas e desocupadas, atingiu 109,8 milhões, um aumento de 0,6% em relação ao trimestre anterior e de 1,6% no ano. O setor de Comércio foi o único grupo a mostrar aumento significativo na ocupação, com um crescimento de 1,9% (368 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior.

A taxa de subutilização, que inclui pessoas desocupadas e aqueles que gostariam de trabalhar mais, caiu para 16%, com 18,5 milhões de pessoas subutilizadas no país. A população desalentada também teve uma redução, alcançando 3,1 milhões, o menor número desde maio de 2016.

Rendimento e Massa Salarial

O rendimento médio real das pessoas ocupadas foi de R$ 3.228, sem variação significativa em relação ao trimestre anterior, mas com um crescimento de 5,1% em comparação ao mesmo período do ano passado. A massa de rendimentos, que é a soma de todas as remunerações, chegou a R$ 326,2 bilhões, apresentando um aumento de 1,7% no trimestre e de 8,3% na comparação anual.

Esses dados positivos indicam uma recuperação robusta do mercado de trabalho brasileiro, sinalizando uma tendência otimista para a economia nacional.