A Prefeitura de Foz do Iguaçu iniciou a devolução dos livros de Inglês utilizados por alunos das escolas municipais, cumprindo uma determinação judicial que pôs fim a uma controvérsia de quase 30 dias letivos. Cerca de sete mil exemplares foram recolhidos em junho, deixando centenas de professores e estudantes sem material didático adequado.

A restituição dos livros acata uma decisão liminar do juiz Wendel Fernando Brunieri, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Foz do Iguaçu, que foi posteriormente confirmada em segunda instância pela desembargadora Ângela Maria Machado Costa, do Tribunal de Justiça do Paraná.

A restituição dos livros segue uma liminar do juiz Wendel Fernando Brunieri, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Foz do Iguaçu, confirmada em segunda instância pela desembargadora Ângela Maria Machado Costa, do Tribunal de Justiça do Paraná. Na última segunda-feira, 4 de agosto, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) notificou os coordenadores das escolas sobre o início da devolução, com rotas de distribuição planejadas para atender todas as unidades. Embora algumas escolas já tenham recebido o material, diversas ainda aguardam a restituição. Em alguns casos, foram entregues novos exemplares do mesmo título (“English After School”), destinados ao uso no segundo semestre, uma situação que está sendo monitorada pelo sindicato da categoria.

Prefeitura tentou reverter decisão sem êxito

Na semana passada, a Prefeitura tentou anular a liminar por meio de um recurso, mas a argumentação foi considerada insuficiente. Tanto o juiz quanto a desembargadora ressaltaram a falta de um estudo técnico que justificasse o recolhimento dos livros. O despacho do Tribunal de Justiça do Paraná foi claro ao afirmar que “(…) o Município também não junta o mencionado parecer técnico prévio, que apontaria as supostas irregularidades encontradas no mencionado material”.

Lucas Fávero, secretário-geral do Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Educação (Sinprefi), observou que essa lacuna reforça a ideia de que “a questão principal não é o conteúdo. Há outros interesses por trás, e isso foi confirmado por denúncias e documentos internos da secretaria de Educação a que tivemos acesso”. O sindicato levanta suspeitas sobre um possível favorecimento à Systemic Editora, fornecedora de material para sistema bilíngue de ensino.

A indignação dos profissionais da Educação, que enfrentaram acusações de doutrinação ideológica, e as denúncias sobre a decisão arbitrária e sem embasamento técnico foram fundamentais para a Ação Civil Pública ajuizada pelo Sinprefi em junho. Essa ação resultou em uma decisão liminar favorável em primeira instância, mantida em segunda.

Viviane Dotto, presidente do Sinprefi, ressalta o compromisso do sindicato com uma gestão democrática e uma educação de qualidade. “A decisão demonstra que os profissionais da educação precisam ser ouvidos e valorizados e que as ações da secretaria devem primar pelo diálogo”, afirma Dotto, enfatizando a necessidade de um processo mais participativo e transparente.

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