Curitiba–PR – Deputados da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) criticaram nesta segunda-feira (3) a intenção do governador Ratinho Junior (PSD) de ampliar o programa Parceiro da Escola, que transfere a gestão administrativa de colégios estaduais para empresas privadas.

A proposta prevê uma nova rodada de votações em 97 escolas, sendo que 41 delas já haviam rejeitado o modelo em consultas anteriores. Segundo os parlamentares, o governo “ignora a voz das escolas” e “insiste em transformar a educação pública em negócio”.

“A escola pública dá resultado”, diz Arilson Chiorato

O líder da Oposição, deputado Arilson Chiorato (PT), classificou a retomada do programa como “incoerente” e “antidemocrática”.

“Já debatemos inúmeras vezes e concluímos que é impossível privatizar a gestão financeira e deixar isoladas as áreas administrativa e pedagógica. Esse programa visa lucro. Foi rejeitado pela comunidade escolar e agora o governo tenta mudar o resultado com o uso da máquina pública”, afirmou.

Arilson comparou a iniciativa a uma “prorrogação de um jogo que já terminou”, lembrando que professores, pais e alunos rejeitaram amplamente o modelo. “A democracia precisa ser respeitada e o voto também. A escola pública dá resultado. O próprio governo divulga índices positivos do MEC e do Ideb, mas ao mesmo tempo quer privatizar as escolas. Qual a coerência nisso?”, questionou.

Oposição denuncia tentativa de “privatização disfarçada”

O vice-líder da Oposição, deputado Professor Lemos (PT), afirmou que o programa desvia recursos da educação pública e enfraquece a gestão democrática das escolas. “Somos contra a ampliação do Parceiro da Escola. Essa iniciativa desvia recursos que deveriam fortalecer as unidades públicas. Precisamos de mais investimento direto nas escolas, valorizando profissionais e fortalecendo a comunidade, e não terceirizando responsabilidades do Estado”, declarou.

Já a líder do bloco PT-PDT, deputada Luciana Rafagnin (PT), criticou o governo por insistir em novas consultas em escolas que já haviam dito “não”. “O governador precisa respeitar a decisão da população. Se é feita uma consulta e a resposta é negativa, essa decisão deve ser respeitada. Não é não. A vontade da maioria tem que prevalecer”, reforçou.

Programa é alvo de ação no STF

Na semana passada, a deputada Ana Júlia Ribeiro (PT) também havia denunciado a intenção do governo de retomar o processo de terceirização da gestão escolar. A parlamentar classificou a medida como “um ataque à educação pública e à democracia escolar”, lembrando que o programa é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta inconstitucionalidade.

Mobilização da APP-Sindicato

A APP-Sindicato iniciou nesta segunda-feira (3) uma mobilização estadual contra a ampliação do programa. Dirigentes sindicais, professores e funcionários entregaram documentos a parlamentares na Alep pedindo a suspensão imediata das consultas públicas nas escolas.

Segundo a entidade, o Parceiro da Escola representa “um passo perigoso” rumo à privatização do ensino público e à precarização dos direitos dos profissionais da educação.

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