Curitiba (PR) – Em resposta oficial ao deputado federal Fernando Francischini (SD-PR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) esclareceu a natureza do curso de Direito destinado a beneficiários da reforma agrária. O parlamentar, ex-secretário de Segurança Pública de Beto Richa, havia questionado a instituição sobre a suposta criação de uma graduação exclusiva para integrantes do MST, classificando a iniciativa como “doutrinação ideológica”.

O diretor do Setor de Ciências Jurídicas, Ricardo Marcelo Fonseca, refutou as alegações de forma contundente: “‘Não’ – pois não foi criado um curso de Direito para integrantes do MST. Simples assim”.

Pronera: Programa criado no governo Fernando Henrique Cardoso

Diferente do que sugeriu o questionamento do parlamentar, a turma especial não está vinculada a uma agenda partidária recente. O curso está inserido no Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), instituído em 1998, durante o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A nota técnica da UFPR ressalta pontos fundamentais sobre a legalidade e o mérito da turma:

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O documento assinado por Ricardo Marcelo Fonseca ironizou a preocupação de Francischini com a educação, lembrando indiretamente sua gestão na segurança pública durante o confronto com professores em Curitiba. Ao final, o diretor colocou a universidade à disposição para uma visita parlamentar, garantindo a pluralidade do ambiente acadêmico.

“Verá como é fantasiosa a ideia de que aqui existe ‘doutrinação’. Encontrará um ambiente que tem aversão à violência por acreditar no diálogo; que acredita na inteligência como forma de evitar o confronto”, afirmou Fonseca na nota.

O diretor ainda pontuou que, embora o parlamentar possa não encontrar muitos defensores de suas ideias específicas no campus, encontraria um espaço que preza pela “democracia e pluralidade de ideias”.

Curta-metragem inspirado em confronto entre PMs e professores é divulgado na web