Foz do Iguaçu, PR – Em meio às grandes produções e lançamentos recentes, o cinema brasileiro guarda obras que permanecem atuais e merecem ser revisitadas. Uma delas é o curta-metragem A Dama do Estácio, estrelado por Fernanda Montenegro, lançado em 2012 e ainda hoje relevante pela força de sua narrativa e pela profundidade de sua personagem.

O filme propõe uma releitura de Zulmira, figura que marcou a estreia de Fernanda Montenegro no cinema, em 1965, no clássico A Falecida, inspirado na obra de Nelson Rodrigues. Na versão original, a personagem é uma mulher do subúrbio carioca obcecada pela morte e pelo desejo de um enterro luxuoso.

Décadas depois, a atriz retorna à personagem em um novo contexto. Em “A Dama do Estácio”, Zulmira surge envelhecida, vivendo à margem, como uma prostituta no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. A obsessão permanece, mas ganha novas camadas: agora, o desejo por um caixão digno se mistura à solidão, à memória e à invisibilidade social.

O curta, dirigido por Eduardo Ades, foi concebido como uma homenagem ao início da trajetória cinematográfica da atriz. O projeto levou anos até se concretizar, justamente por ter sido pensado desde o início para ser interpretado por Fernanda Montenegro.

“Escrevemos o roteiro e passamos dois anos tentando chegar até ela para fazer a proposta. ‘A Dama do Estácio’ é baseado em ‘A Falecida’, por isso mantivemos o nome da personagem. Fizemos o projeto inteiro pensando nela.”
Eduardo Ades

Ao aceitar o convite, a atriz estabeleceu um diálogo raro entre passado e presente, revisitando uma personagem que ajudou a consolidar sua carreira e que permanece simbólica na dramaturgia brasileira.

“Valeu muito o nosso encontro. É um trabalho delicado e forte. O filme me dá um sentimento de ‘eterno retorno’. É comovente.”
Fernanda Montenegro

Com cerca de 15 minutos de duração e classificação indicativa de 14 anos, o curta traz ainda no elenco Joel Barcellos, Nelson Xavier e Rafael Souza Ribeiro.

“A Dama do Estácio” se mantém como uma obra breve, mas intensa, que reafirma a capacidade do cinema brasileiro de revisitar seus próprios clássicos sob novas perspectivas. Ao trazer à tona temas como marginalidade, envelhecimento e dignidade, o filme dialoga com questões ainda presentes na sociedade.

Mais do que um registro cinematográfico, o curta se apresenta como uma experiência sensível sobre o tempo, a memória e o lugar dos indivíduos à margem — uma indicação que permanece atual para quem busca compreender a força e a continuidade da arte brasileira.

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