Foz do Iguaçu, PR – O curta-metragem Vitória Régia, protagonizado por Alice Braga, estreia nesta semana como uma obra que combina ficção e crítica política para discutir a disputa por recursos naturais, os direitos territoriais e os limites da democracia no Brasil contemporâneo.
A produção integra a campanha “A Resposta Somos Nós”, articulada por organizações do movimento indígena brasileiro, como Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, e será disponibilizada ao público em plataformas digitais e exibições especiais.
Mais do que um exercício de ficção, o filme se constrói como um alerta: uma narrativa distópica que projeta cenários extremos para discutir conflitos reais que já atravessam o território brasileiro.
Ambientado em uma realidade paralela, o filme imagina um Brasil que, após um golpe de Estado, entrega a Amazônia ao controle dos Estados Unidos, rebatizando o território como “Amazon of America”.
Nesse cenário, a floresta deixa de ser apenas um espaço geográfico e passa a representar o centro de uma disputa global por poder, recursos e controle climático.
A narrativa acompanha uma jornalista investigativa — interpretada por Braga — que percorre esse território para revelar ao mundo os impactos sociais, políticos e ambientais desse novo regime.
Ao longo do filme, a Amazônia é tratada como protagonista, não como cenário. A obra explicita o conflito entre dois modelos: de um lado, a exploração intensiva orientada pelo lucro; de outro, a defesa dos ecossistemas e da vida.
“No filme, a Amazônia não é pano de fundo – é território vivo, em disputa, onde democracia, soberania e futuro climático se tornam inseparáveis”, afirma Toya Manchineri.
“O que está em disputa não é apenas território. É poder, soberania e o lugar do Brasil no mundo. É um filme sobre escolhas.”
A construção da narrativa dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre mudanças climáticas, avanço de interesses econômicos sobre áreas protegidas e pressão sobre territórios indígenas.
O curta reúne atores e lideranças indígenas em cena, como Ywyzar Tentehar e Ayra Kopém, além de nomes como Marina Person e Caio Horowicz.
A proposta é ampliar o alcance das pautas defendidas historicamente pelos povos indígenas, trazendo para o campo audiovisual discussões sobre território, autonomia e preservação ambiental.
“Os povos indígenas, enquanto guardiões da floresta, são também os guardiões do futuro”, afirma Alice Braga.
Cinema como manifesto
Para os realizadores, Vitória Régia não se limita à linguagem cinematográfica. A obra assume caráter de manifesto ao traduzir, em forma de ficção, conflitos que já fazem parte da realidade.
“Nosso futuro não está à venda”, reforça Dinamam Tuxá, em referência às discussões apresentadas durante o Acampamento Terra Livre 2026.
A estratégia é clara: usar o cinema como ferramenta de mobilização, ampliando o debate público sobre soberania, meio ambiente e democracia.