Após uma crítica negativa ao filme “Ainda estou aqui”, brasileiros tomaram as redes sociais do jornal francês Le Monde para expressar sua insatisfação. No longa, Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva, viúva de Rubens Paiva.
O crítico Jacques Mandelbaum avaliou a atuação de Torres como “um tanto monocórdica” e criticou o enfoque na personagem, afirmando que o filme “passa com um traço leve demais pela compreensão do mecanismo totalitário”.
A repercussão foi imediata. Trechos da crítica viralizaram nas redes sociais, levando muitos usuários a inundar os comentários do Le Monde no Instagram com mensagens em português. As reações variaram desde defesas fervorosas da atriz, vencedora do Globo de Ouro, até ataques ao filme francês “Emilia Pérez”, que concorrerá ao prêmio de melhor filme internacional.
Um internauta desafiou a crítica, afirmando: “Por acaso vocês são brasileiros pra definir o que é ‘suavizar’ a ditadura? Se for pra falar do que não sabe, é melhor nem fazer review alguma.” Outros comentários, mais humorísticos, incluíram comparações entre a culinária brasileira e a francesa, como: “Pão de queijo é melhor que croissant”.
Apesar da avaliação de apenas uma estrela em quatro pelo Le Monde, o filme recebeu críticas positivas de outros veículos franceses, como Libération, que destacou a força e emoção da narrativa, e Cahiers du Cinéma, que elogiou sua sutileza.
Com uma bilheteira de 3 milhões de espectadores e seleção em mais de 50 festivais internacionais, “Ainda Estou Aqui” narra a história real de Eunice Paiva, que passou 40 anos em busca da verdade sobre seu marido, Rubens, desaparecido durante a ditadura militar no Brasil.