CURITIBA | PR – A vontade de ter um papagaio, um sagui ou um pássaro silvestre como animal de estimação no Paraná esbarra em uma legislação rigorosa. Para combater o tráfico e garantir a saúde da fauna, o Instituto Água e Terra (IAT) reforçou nesta semana as diretrizes para a tutela legal de animais silvestres. A regra de ouro é clara: a aquisição só é permitida através de criadouros ou lojas licenciados pelo IAT ou pelo Ibama.

No ato da compra, o tutor deve exigir nota fiscal, certificado de origem e a marcação obrigatória (anilha ou microchip). Para evitar cair em golpes ou financiar o crime ambiental, o cidadão pode verificar a regularidade do vendedor enviando o CNPJ do estabelecimento para o e-mail sisfauna@iat.pr.gov.br.

Instinto selvagem vs. domesticação

Um dos erros mais comuns apontados pelos especialistas é tratar espécies silvestres como cães ou gatos. “O animal silvestre preserva instintos selvagens e sua biologia exige um manejo completamente diferente”, alerta Pedro Chaves de Camargo, médico veterinário do IAT.

O manejo inadequado é a principal causa do picacismo — doença onde aves como araras e papagaios arrancam as próprias penas por estresse crônico e depressão causados por gaiolas pequenas ou falta de estímulos.

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O guia do IAT também faz um alerta sobre a interação com animais que vivem em áreas verdes urbanas. Oferecer frutas, pães ou bolachas a um sagui que aparece na janela pode ser fatal.

“Se um macaco come uma banana oferecida por um humano, ele pode atingir um alto número de calorias que normalmente consumiria em um dia inteiro. Isso adultera a dieta natural e pode causar a morte do bicho”, explica o veterinário.

Entrega voluntária e transporte

A legislação paranaense permite a entrega voluntária de animais criados irregularmente (sem documentação). Nesses casos, o tutor fica isento de multas ou punições, desde que a devolução seja espontânea. Após a entrega, técnicos avaliam se o animal tem condições de passar por readaptação para soltura ou se deve ir para santuários.

Para o transporte legal, é obrigatória a Guia de Trânsito Animal (GTA) e autorização via Sisfauna, garantindo que o deslocamento ocorra em caixas seguras e ventiladas.

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