BEIRUTE | LÍBANO – A escalada da ofensiva militar israelense no Líbano atingiu um patamar de horror que choca as organizações internacionais. Segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (9) pela Unicef, a agência da ONU para a Infância, pelo menos 83 crianças foram mortas e outras 254 ficaram feridas em apenas sete dias. Os dados, coletados desde o dia 2 de março, revelam uma média brutal: mais de 10 crianças assassinadas e 36 feridas a cada 24 horas.
O agravamento do conflito ocorre após a extensão da guerra de agressão desencadeada pelo eixo EUA-Israel no final de fevereiro. No acumulado dos últimos 28 meses, o rastro de sangue no Líbano já contabiliza 329 crianças mortas e 1.632 feridas, números que a Unicef classificou como um “testemunho contundente” do impacto desproporcional sobre os mais vulneráveis.
Crise humanitária e deslocamento forçado
Sob bombardeios constantes e ordens de evacuação, cerca de 700 mil pessoas foram obrigadas a abandonar seus lares em menos de uma semana. Entre os deslocados, há aproximadamente 200 mil crianças, muitas das quais sobrevivem ao relento, sem acesso a abrigo seguro, saneamento ou alimentação adequada.
A Unicef conclamou as partes envolvidas a respeitarem o Direito Humanitário Internacional, reforçando a urgência de proteger escolas e estruturas civis. No entanto, o histórico de Tel Aviv e Washington em relação a apelos diplomáticos indica que a ajuda humanitária enfrentará barreiras severas para alcançar as vítimas.
Em média, mais de 10 crianças foram mortas todos os dias em todo o Líbano na última semana. É um impacto impressionante que exige a redução imediata da escalada para evitar novos danos às crianças. — Comunicado oficial da Unicef.
Denúncia de uso de fósforo branco
Somando-se ao rastro de destruição, a organização Human Rights Watch (HRW) apresentou provas contundentes do uso de fósforo branco por forças israelenses em áreas habitadas no sul do Líbano. Imagens geolocalizadas e analisadas pela organização mostram que o material — uma arma incendiária que causa queimaduras químicas profundas e sofrimento vitalício — foi disparado sobre zonas residenciais da localidade de Yohmor no dia 3 de março.
O pesquisador da HRW para o Líbano, Ramzi Kaiss, afirmou que a utilização desse tipo de munição em bairros residenciais configura uma violação direta das leis de guerra. Os projéteis identificados são da série M825, de calibre 155 mm, cujo padrão de dispersão de fumaça é característico da explosão de cargas que contêm a substância incendiária. Enquanto as chamas consomem residências civis, a comunidade internacional observa o avanço de uma crise que ameaça aniquilar o futuro de toda uma geração na região.
Curitiba e Foz do Iguaçu lideram buscas de turistas no Trivago em março