Foz do Iguaçu, PR – Duas harpias (Harpia harpyja), nascidas entre 2019 e 2020 no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), na margem brasileira da Itaipu Binacional, foram transferidas nesta terça-feira (23) para o zoológico do Centro Ambiental Tekotopa, espaço dedicado à fauna silvestre na margem paraguaia da Usina. A iniciativa marca o início de um projeto de conservação integrada da espécie entre Brasil e Paraguai.
Embora as aves permaneçam sob os cuidados da Itaipu, o processo seguiu todos os trâmites legais de exportação de animais, saindo de Foz do Iguaçu (Brasil) e atravessando a Ponte da Amizade até Hernandarias (Paraguai). “Providenciamos mais de dez autorizações, exigidas pela Receita Federal, Ministério da Agricultura e Pecuária, Ibama e outros órgãos ambientais”, explicou a médica-veterinária da margem brasileira, Aline Konell. “Estávamos preocupados com a possibilidade de atrasos e com o calor, mas a manhã estava fresca e sombreada, e tudo correu bem”, acrescentou.
Desde o ano 2000, o RBV já registrou o nascimento de mais de 50 harpias, acumulando vasta experiência sobre a espécie, conhecimento que agora será compartilhado com os conservacionistas paraguaios. “A manutenção desses animais nos permitiu avanços técnicos em fisiologia, anatomia e reprodução. Agora, estudamos a viabilidade da translocação e, no futuro, até a reintrodução da espécie em seu habitat natural”, destacou Konell.
Considerada criticamente ameaçada na América do Sul e América Central, a harpia já desapareceu de várias regiões devido à perda de habitat e à caça. No Paraguai, segundo o médico-veterinário Santiago Molina Iriondo, coordenador do Centro de Investigación de Animales Silvestres (CIASi), a espécie está praticamente extinta. “É a maior águia que já habitou nossas terras. Ter novamente esses animais aqui é uma oportunidade única e uma grande responsabilidade. Para nós, é motivo de enorme alegria”, afirmou.
O macho “Cinquentinha” e a fêmea “Pangeia” em breve estarão disponíveis para visitação pública em um recinto projetado especialmente para garantir o bem-estar e o desenvolvimento das aves no zoológico paraguaio.