O Conselho de Paz da Noruega anunciou nesta sexta-feira (24) que não realizará a cerimônia oficial de entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2025, concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado. A decisão foi tomada após um processo de consulta entre as 17 organizações pacifistas que integram o conselho.
Em comunicado, a entidade afirmou que os eventos que tradicionalmente acompanham a premiação — como a procissão de tochas — têm o propósito de celebrar iniciativas comprometidas com solidariedade, justiça e diálogo entre culturas e ideologias, valores que, segundo o conselho, não se refletem na trajetória da vencedora.
A presidente do Conselho, Eline H. Lorentzen, classificou a decisão como “difícil, mas necessária”. “Temos grande respeito pelo Comitê Norueguês do Nobel e pela importância histórica do prêmio, mas precisamos ser coerentes com os princípios que norteiam nossa atuação pela paz e pela não violência”, declarou.
Histórico de apoio a ações golpistas
A deputada cassada María Corina Machado, apontada como símbolo da oposição venezuelana, possui um histórico de envolvimento em episódios de ruptura institucional e defesa de intervenções estrangeiras. Em 2008, apoiou o golpe relâmpago que depôs o então presidente Hugo Chávez por 48 horas, assinando o Decreto Carmona, documento que dissolvia o Congresso, destituía a Suprema Corte e suspendia garantias constitucionais.
Nos anos seguintes, Machado defendeu sanções econômicas e ações militares contra o governo venezuelano. Em 2019, apoiou a autoproclamação de Juan Guaidó como “presidente interino”, medida respaldada pelo governo norte-americano de Donald Trump. As sanções subsequentes, que afetaram a indústria petroleira venezuelana, agravaram a crise econômica e social do país.
Em 2014, a líder da extrema-direita venezuelana foi cassada do Parlamento por aceitar o cargo de embaixadora do Panamá na OEA, violando a Constituição venezuelana. Desde então, passou a atuar como uma das principais articuladoras da oposição e a defender publicamente uma “intervenção militar estrangeira” para derrubar o governo de Nicolás Maduro.
Apesar desse histórico, o Comitê Norueguês do Nobel justificou a escolha afirmando que Machado é “um símbolo da luta democrática” na América Latina — argumento que gerou críticas de organizações internacionais e de setores progressistas que veem contradição entre sua atuação e os ideais da paz.