Foz do Iguaçu, PR – O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2025/2026 confirma o cenário de expansão contínua da agricultura brasileira. A estimativa divulgada nesta terça-feira (14) projeta 354,7 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 0,8% em relação à safra anterior, que já havia sido a maior da história, com 350,2 milhões de toneladas.
A área plantada também deve crescer 3,3%, atingindo 84,4 milhões de hectares, um indicativo da confiança do setor na recuperação climática e na demanda interna e externa por alimentos. “Os resultados reforçam a estabilidade produtiva do país e a capacidade de adaptação dos agricultores diante de variações climáticas e de mercado”, avaliou a Conab no relatório.
Soja segue líder com 177,6 milhões de toneladas previstas
A soja continua sendo o principal cultivo brasileiro, com produção estimada em 177,6 milhões de toneladas, alta de 3,6% na área plantada e incremento em relação às 171,5 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
As chuvas de setembro favoreceram o início do plantio, com 11,1% da área nacional já semeada até o período do levantamento. Os maiores estados produtores, Mato Grosso e Paraná, registravam 18,9% e 31% da área semeada, respectivamente, nos primeiros dias de outubro.
Milho amplia área e exportações
O milho também deve apresentar desempenho positivo. A área total cultivada deve alcançar 22,7 milhões de hectares, com produção de 138,6 milhões de toneladas nas três safras do grão.
Na primeira safra, o aumento da área é de 6,1%, com previsão de 25,6 milhões de toneladas colhidas.
No Sul do país, o plantio já está adiantado: 83% das áreas no Rio Grande do Sul, 84% no Paraná e 72% em Santa Catarina já estavam semeadas até 11 de outubro.
As exportações brasileiras de milho devem saltar de 40 milhões para 46,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno passa de 90,5 milhões para 94,5 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda da indústria de etanol e de ração animal.
Arroz e feijão: estabilidade e leve retração
Para o arroz, a Conab projeta redução de 5,6% na área cultivada, com produção estimada em 11,5 milhões de toneladas.
A diminuição se deve principalmente a ajustes no Sul do país, onde produtores enfrentam custos mais altos e condições climáticas menos previsíveis.
Já o feijão deve manter estabilidade, com produção total de 3 milhões de toneladas nas três safras. A área da primeira safra deve cair 7,5%, alcançando 840,4 mil hectares.
Em São Paulo, o plantio já está concluído; no restante do país, a semeadura ocorre de forma gradual.
Trigo recua com clima desfavorável
Entre as culturas de inverno, o trigo deve atingir 7,7 milhões de toneladas, uma queda de 2,4% em relação à safra passada. O resultado reflete a redução de quase 20% na área plantada, impactada por chuvas irregulares e menores condições de produtividade.
Panorama das exportações agrícolas
As projeções da Conab reforçam o papel do Brasil como grande fornecedor global de alimentos.
A soja deve manter o país na liderança mundial das exportações, com 112 milhões de toneladas previstas. O processamento interno também deve crescer, alcançando 59,5 milhões de toneladas até 2026, em razão da alta demanda por biodiesel e proteína vegetal.
Mesmo com menor área, o arroz deve garantir boa oferta interna e exportar 2,1 milhões de toneladas, contra 1,6 milhão no ciclo anterior. Já o consumo doméstico deve se manter estável, próximo de 11 milhões de toneladas.
Importância econômica e ambiental
O levantamento da Conab confirma que o setor agropecuário segue como um dos principais motores da economia brasileira, representando mais de 25% do PIB nacional e sustentando grande parte da balança comercial.
Os dados também apontam para novos desafios ambientais, como o manejo sustentável de áreas em expansão e a necessidade de adaptação climática em regiões afetadas por estiagens ou excesso de chuvas.