O Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do Paraná, divulgou um protocolo abrangente de segurança. O objetivo é orientar a população sobre como agir ao se deparar com animais silvestres, em especial grandes felinos como onças-pardas e pumas, que têm aparecido com mais frequência em ambientes urbanos. As diretrizes buscam minimizar riscos para humanos e animais, espelhando o sucesso de resgates recentes, como o de uma onça na quinta-feira, 31 de julho, em Formosa do Oeste, no Oeste do Paraná.

O IAT elaborou um procedimento específico para essas situações. O primeiro e crucial passo, conforme explica o biólogo Mauro Britto, é manter distância do animal e entrar em contato imediato com o IAT pelo número (41) 99554-0553. Em casos que demandem intervenção, o chamado será encaminhado para a regional mais próxima do Instituto. O envio de imagens do animal também é fundamental, pois auxilia na identificação da espécie e garante uma resposta mais eficiente por parte das equipes.

“Muitas das vezes nos deslocamos até a propriedade e verificamos no próprio local quando a situação é mais grave. A partir daí, monitoramos ou repassamos ao escritório mais próximo quando é distante da Região Metropolitana de Curitiba”, detalha o biólogo, sobre o fluxo de atendimento.

Em áreas onde há suspeita ou confirmação da presença de grandes felinos, como onças ou pumas, a orientação é fazer barulho, principalmente nos horários de maior atividade desses animais — ou seja, no fim da tarde e início da manhã. Buzinas e até rojões podem ser usados como forma de espantar. Além disso, manter luzes acesas durante a noite fora de casa é uma medida preventiva importante.

Para a segurança pessoal, é fundamental evitar andar sozinho e manter crianças sempre acompanhadas. Em caso de encontro acidental direto com o animal, a calma é essencial: não vire as costas e afaste-se lentamente. Em uma situação de último recurso, levantar os braços e fazer barulho para parecer maior pode assustar o felino e incentivá-lo a se afastar.

Orientações para produtores rurais

Produtores rurais também precisam estar vigilantes. Durante a noite, o IAT recomenda recolher os animais de criação em currais ou apriscos, preferencialmente bem iluminados; detectores de movimento que acionam iluminação automática podem ser um reforço útil. Manter no rebanho animais mais velhos e com chifres pode auxiliar na defesa coletiva contra predadores. Evitar pastagens muito próximas à mata é aconselhável, com uma distância mínima de 200 metros da beira da floresta.

Animais prenhes ou em fase final de gestação devem ser isolados em locais mais seguros. Em propriedades menores, cercas elétricas podem ser um bom investimento. Caso um animal do rebanho seja encontrado morto, a orientação é não mexer na carcaça. Essa ação é crucial para que a equipe técnica possa analisá-la e identificar corretamente a causa da morte, confirmando se foi um ataque de felino.

O IAT enfatiza que a captura de um animal silvestre é o último recurso, pois grandes felinos são animais raros e vitais para o equilíbrio dos ecossistemas. O órgão também reforça a importância de não desmatar áreas nativas e de denunciar casos de caça ilegal.

Causas da aproximação e como denunciar

Segundo a médica-veterinária do IAT, Gabriela Chueiri, o avanço da urbanização sobre os ecossistemas florestais é o principal fator que tem levado à presença cada vez mais frequente de felinos em centros urbanos. “O desmatamento e a fragmentação florestal são os principais impactos antrópicos associados com esta presença em regiões peridomiciliares”, explica.

“Muitas vezes esses animais entram em áreas urbanas quando são liberadas pela mãe e saem à procura de estabelecer território ainda jovens. Nesses casos, eles apenas cruzam as áreas urbanas, não vão se estabelecer por ali em razão do desmatamento”, complementa o biólogo Mauro Britto, esclarecendo que a presença costuma ser de passagem.

Em caso de avistar animais feridos, o resgate pode ser solicitado entrando em contato com a secretaria de meio ambiente do município ou com o setor de Fauna do Instituto Água e Terra para demais orientações.

Para denúncias de maus-tratos, caça, tráfico ou cativeiro irregular de animais, o cidadão deve ligar diretamente para a Polícia Militar Ambiental através do Disque Denúncia 181 ou contatar a Ouvidoria do IAT. É fundamental fornecer informações objetivas e precisas sobre a localização e o ocorrido, com o máximo de detalhes para agilizar a apuração e o atendimento.

O IAT reforça que matar, perseguir ou caçar animais silvestres é crime, conforme previsto pela Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

O que fazer se encontrar um felino silvestre:

  1. Faça barulho: Use buzinas ou rojões (com segurança) no fim da tarde e início da manhã.
  2. Ilumine o ambiente: Mantenha luzes fortes acesas fora de casa e perto de currais; considere detectores de movimento.
  3. Segurança em casa: Mantenha cães de grande porte no terreno.
  4. Atenção ao caminhar: Evite andar sozinho e se abaixar.
  5. Crianças protegidas: Mantenha crianças sempre acompanhadas.
  6. Mantenha distância: Nunca se aproxime do animal.
  7. Calma e afastamento: Se encontrar um animal, mantenha a calma e afaste-se lentamente, sem virar as costas.
  8. Último recurso: Se o animal se aproximar, levante os braços e faça muito barulho para parecer maior e assustá-lo.
  9. Não caçe e denuncie: A caça ilegal reduz as presas naturais do felino, forçando-o a buscar alimento em áreas urbanas.
  10. Preserve a natureza e denuncie o desmate: Felinos precisam de grandes áreas para viver; a perda de habitat os força a entrar em áreas residenciais.

Para quem tem criação:

  1. Recolha à noite: Sempre prenda os animais em currais ou apriscos durante a noite.
  2. Defesa coletiva: Mantenha animais mais velhos e bravos no rebanho, de preferência com chifres, para auxiliar na defesa.
  3. Distância da mata: Evite soltar animais em pastos muito próximos de florestas; o ideal é manter ao menos 200 metros de distância.
  4. Isolamento de fêmeas: Animais prenhes ou em fase final de gestação devem ser isolados em locais protegidos.
  5. Reforço de segurança: Para rebanhos e pastos menores, a instalação de cercas elétricas pode ser eficaz.
  6. Não mova carcaças: Se um animal for morto, não mexa na carcaça para permitir a análise da causa da morte. Remova-a apenas se estiver muito próxima da comunidade.
  7. Estratégias combinadas: Para melhores resultados, combine todas essas estratégias.