Brasília (DF) – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A iniciativa convida a Igreja e a sociedade brasileira a refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta da dignidade humana.
A cerimônia ocorreu na sede da CNBB, com celebração da Santa Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo secretário-geral da entidade, dom Ricardo Hoepers. Na sequência, no Auditório Dom Helder Câmara, foi realizada a solenidade de abertura, com apresentação do hino oficial da campanha pelo coro da Arquidiocese de Brasília.
Fé e compromisso com os pobres
Durante o evento, o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul, leu a mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma. O Pontífice destacou a trajetória de mais de seis décadas da Campanha da Fraternidade como expressão concreta da fé da Igreja no Brasil, especialmente no compromisso com os pobres.
A mensagem recorda a Exortação Apostólica Dilexi te e reafirma que existe um vínculo inseparável entre fé e justiça social, apontando para a necessidade de enfrentar as causas estruturais da pobreza.
Moradia como direito e dever coletivo
Em sua fala, dom Ricardo Hoepers enfatizou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social, e que a moradia não pode ser tratada como privilégio.
Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB.
Ele ressaltou que a espiritualidade cristã autêntica não pode ignorar o sofrimento do povo e que a fé exige responsabilidade histórica.
A conversão que Deus pede é integral. Não é apenas interior, mas também relacional, estrutural e social. Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB.
Segundo ele, políticas públicas habitacionais são dever do Estado e a economia deve estar a serviço da vida. O secretário-geral conclamou autoridades públicas, setor privado, universidades e movimentos sociais a se unirem na promoção da moradia digna.
Este não é um tema partidário; é um tema humano, civilizatório. Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB.
Experiências concretas de transformação
A cerimônia também apresentou testemunhos de iniciativas apoiadas pela Igreja. De Salvador (BA), o irmão Henrique Peregrino compartilhou a experiência da Comunidade da Trindade, responsável pelo projeto “Moradias Acompanhadas”, voltado a pessoas que viveram em situação de rua.
Segundo ele, a proposta vai além da entrega de uma casa física.
Não basta oferecer muros em pé. É necessário garantir acompanhamento na saúde, geração de renda e reconstrução dos vínculos familiares e comunitários. Henrique Peregrino, Comunidade da Trindade.
Altair Leal de Aguiar, beneficiado pelo projeto, relatou sua experiência após anos vivendo nas ruas.
Essa caminhada pra mim foi boa. Tive bastante ajuda da comunidade. Me tiraram da rua, me deram carinho e amor. Altair Leal de Aguiar, beneficiário do projeto Moradias Acompanhadas.
Ações práticas e Coleta da Solidariedade
Padre Jean Poul apresentou cinco propostas práticas da Campanha da Fraternidade 2026: assumir a campanha nas comunidades; intensificar a oração pelos que sofrem com a falta de moradia; praticar o jejum solidário; fortalecer a ação sociopolítica; e participar da Coleta Nacional da Solidariedade.
Ele citou o exemplo de uma família que abriu mão da reforma de uma suíte para construir um banheiro na casa de uma trabalhadora sem acesso ao item básico.
O nosso jejum, se não se converter em bem do próximo, é apenas economia Padre Jean Poul, secretário-executivo de Campanhas da CNBB.
A Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no Domingo de Ramos, 29 de março. Os recursos serão destinados aos Fundos Diocesano e Nacional de Solidariedade, que financiam projetos sociais em todo o país.
Memória e compromisso permanente
Ao final da cerimônia, o cartaz da CF 2026 foi fixado na galeria histórica das Campanhas da Fraternidade, integrando oficialmente a memória da iniciativa. Os participantes também visitaram a exposição “Caminhos da Fraternidade”, com projetos apoiados pelo Fundo Nacional da Solidariedade nos últimos três anos.
Com o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, a CNBB reafirma o compromisso da Igreja no Brasil com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos tenham acesso à terra, teto e trabalho — sinais concretos do Deus que “veio morar entre nós”.
Codefoz amplia articulação para enfrentar desafios em segurança e mobilidade