As chuvas intensas registradas no Paraná em outubro chamam a atenção dos meteorologistas. Em quatro estações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar)Cornélio Procópio, Guaíra, Maringá e Paranaguá — o volume de precipitações já ultrapassou a média histórica mensal no último dia 20, restando ainda mais de uma semana para o encerramento do mês.

A primavera, conhecida pelo aumento de tempestades, tem se mostrado especialmente intensa em 2025. Segundo dados do Simepar, Cornélio Procópio atingiu 171,6 mm de chuva, frente à média de 146,6 mm; Guaíra registrou 190,6 mm (média de 190,1 mm); Maringá, 171 mm (média de 160,8 mm); e Paranaguá, 146,4 mm (média de 138 mm).

De acordo com Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar, as condições atmosféricas atuais favorecem a formação de tempestades no Sul e Sudeste do Brasil.

“A formação de tempestades é impulsionada pela umidade vinda da Amazônia, pelo contraste de temperaturas típico da primavera e pela instabilidade geral da atmosfera, que é muito maior nesse período”, explica.

Formação de tempestades

O meteorologista esclarece que a origem das tempestades está associada ao movimento ascendente de massas de ar úmido.

“A umidade em elevação se condensa e, alimentada por mais calor e umidade, forma nuvens de grande desenvolvimento vertical”, detalha Jusevicius.

Esses movimentos podem ocorrer por diferentes causas: a passagem de frentes frias, que empurram o ar das camadas mais baixas para as mais altas; o relevo montanhoso, que força o ar a subir; ou ainda a convecção local, quando o calor do solo provoca o deslocamento ascendente do ar.

Granizo e fenômenos associados

O especialista explica que quase toda nuvem de tempestade contém granizo em seu interior, o que explica o aumento das ocorrências no estado.

“A altura dessas nuvens ultrapassa a linha de zero grau, o que permite que parte da umidade se converta em gelo. O granizo é sustentado pelas correntes ascendentes, ventos que sobem da superfície até as camadas superiores da nuvem”, afirma.

Nem sempre, porém, o granizo chega ao solo. Isso acontece porque as pedras menores permanecem suspensas pelas correntes de ar internas.

“Elas continuam crescendo até atingir um tamanho capaz de vencer a força do vento que as sustenta — e então caem”, completa Jusevicius.

Embora a meteorologia identifique condições favoráveis para o granizo, não há equipamentos no Brasil capazes de confirmar automaticamente a ocorrência. Por isso, registros visuais, como fotos e vídeos, são fundamentais para o monitoramento.

O Simepar disponibiliza um formulário online para que a população envie seus registros e contribua com as análises dos fenômenos meteorológicos. O formulário está disponível no site oficial do órgão.