Pequim, China – O governo chinês reiterou seu apoio à Organização das Nações Unidas (ONU) após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que um Conselho de Paz proposto por ele poderia, em determinadas circunstâncias, substituir o papel da organização internacional.

A manifestação oficial foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira. Segundo ele, a China mantém compromisso com o multilateralismo e com a centralidade da ONU no sistema internacional.

“Não importa como a situação internacional evolua, a China defenderá firmemente o sistema internacional com a ONU em seu núcleo, a ordem internacional sustentada pelo direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais, com base nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, afirmou.

Declarações de Trump sobre novo organismo

As declarações do porta-voz chinês ocorreram após Trump afirmar, na terça-feira, que a ONU “deveria continuar a existir” por seu potencial, mas que o Conselho de Paz por ele defendido “poderia” substituir a organização em determinadas funções.

O novo organismo foi inicialmente apresentado como um mecanismo para supervisionar a implementação de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, no contexto da resolução 2803. No entanto, de acordo com estatutos recentemente divulgados, o conselho teria atribuições mais amplas, com possibilidade de atuação em outros conflitos internacionais.

Estrutura e atribuições do Conselho de Paz

Conforme os documentos divulgados, o Conselho de Paz seria presidido por Donald Trump, que também teria prerrogativas decisórias sobre a composição do órgão e suas deliberações. A proposta prevê a participação de líderes internacionais convidados, definidos diretamente pelo ex-presidente norte-americano.

Especialistas em relações internacionais avaliam que a iniciativa pode representar uma tentativa de criação de um mecanismo paralelo ao sistema multilateral vigente, com potencial impacto sobre a atuação da ONU em temas de segurança e resolução de conflitos.

Defesa do multilateralismo pela China

Para o governo chinês, a centralidade da ONU continua sendo essencial para a estabilidade global. A posição de Pequim reforça a defesa do direito internacional e das normas multilaterais como base para a convivência entre os Estados.

Analistas observam que a manifestação chinesa ocorre em um contexto de disputas geopolíticas mais amplas, marcadas por debates sobre governança global, segurança internacional e o papel das organizações multilaterais.

A China tem reiterado, em fóruns internacionais, a necessidade de preservar os princípios da Carta das Nações Unidas como referência para a resolução pacífica de conflitos e para a manutenção da ordem internacional.

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