Foz do Iguaçu (PR) – O Centro Cultural Beneficente Islâmico (CCBI) prestou homenagem à Irmã Terezinha Maria Mezzalira durante o I Congresso Internacional de Migração e Refúgio, promovido pela Cáritas Brasileira. O evento, realizado no Recanto Cataratas, reúne mais de 250 participantes de diferentes países da América Latina e da Europa e discute os desafios da mobilidade humana em meio a crises climáticas, conflitos armados e tráfico de pessoas.

A honraria reconheceu a trajetória humanitária da religiosa, especialmente sua atuação na fundação da Casa do Migrante, em 2008, e na missão Raízes do Cedro, que repatriou brasileiros do Líbano. “Comecei sendo religiosa em 1978, trabalhei no Paraguai e também na África do Sul. Temos a missão de trabalhar com migrantes e refugiados”, afirmou Mezzalira.

Mesa de abertura e discursos

Na abertura, o líder da Mesquita de Foz, Sheikh Oussama El Zahed, destacou a dor e a esperança vividas por comunidades refugiadas. “Falar de migração e refúgio é falar de um sofrimento humano profundo. Trabalhar para aliviar a dor do ser humano é uma forma de se aproximar do Criador”, declarou.

Estiveram presentes autoridades como Enio Verri, diretor-geral da Itaipu Binacional; Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina; Dom Sérgio de Deus Borges, bispo de Foz do Iguaçu; o prefeito General Silva e Luna; e Iñaki Olazabal Otero, da Cáritas Espanha.

Migração no Brasil

Segundo o Boletim da Migração (MJSP, 2024), o Brasil registrou 194.331 novos migrantes no ano passado. Os venezuelanos lideram os pedidos de acolhimento, com 94.726 registros, seguidos por cidadãos de outros países da América do Sul, que somaram mais de 51 mil.

Rima Alzarzouri, refugiada síria que vive no Brasil há oito anos, emocionou ao relatar sua experiência: “Temos uma crise atual de guerras e conflitos. Como imigrante eu sei: o Brasil me acolheu e me ajudou a levantar. Hoje sou voluntária na Cáritas e conseguimos ajudar unindo as mãos.”

Cultura do encontro

O congresso, reforçou o lema “Esperança em Movimento”, inspirado em Dom Helder Câmara. Para Márcia Ponsi, secretária regional da Cáritas Paraná, o debate é urgente: “Uma crise humanitária com mais de 200 milhões de pessoas em mobilidade no mundo todo exige que quebremos estereótipos e construamos acolhimento. Todos nós somos migrantes. Somos diversos, mas não desiguais.”