Foz do Iguaçu, PR – Cerca de 150 catadores e catadoras de materiais recicláveis, representantes de 15 municípios do Norte do Paraná, estão em Foz do Iguaçu (PR) para compartilhar experiências e conhecer de perto a metodologia do Programa Coleta Mais, da Itaipu Binacional em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa busca aproveitar os 20 anos de atuação das Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs) do Oeste do Paraná e disseminar suas boas práticas para outras regiões do estado.

A programação inclui dois dias de atividades, com visitas às UVRs de Foz do Iguaçu, à Itaipu Binacional e às Cataratas do Iguaçu. Nesta quarta-feira (26), o grupo foi recebido no Centro de Recepção de Visitantes (CRV) da Itaipu, seguido de uma visita à usina. No dia anterior, já haviam conhecido as UVRs locais e visitado o Parque Nacional do Iguaçu.

O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, destacou o histórico compromisso da entidade com os catadores. “Nosso projeto de apoio à coleta seletiva começou em 2003, no primeiro mandato do presidente Lula, e reflete esse compromisso com os catadores e catadoras de materiais recicláveis. Em tempos de reflexão sobre a proteção ambiental, são eles os verdadeiros agentes de transformação, por atuarem diretamente na reciclagem.”

O diretor de Coordenação, Carlos Carboni, lembrou que os catadores já enfrentaram forte preconceito social, mas que essa percepção vem mudando. “É fundamental reconhecer o trabalho que vocês realizam. É um impacto enorme para a sociedade e merece ser valorizado”, afirmou.

A atividade faz parte do projeto “Vivência Catadores”, integrante do convênio Expansão UVRs. As visitas apresentam modelos de gestão, fluxos operacionais, tipos de equipamentos e organização de equipes, servindo de referência para outras unidades do Paraná e do Brasil. Técnicos e catadores dos 50 municípios participantes deverão participar da vivência, com mais três encontros já agendados.

Segundo a analista ambiental do Itaipu Parquetec, Juliana Correia, a metodologia do Coleta Mais tem ampliado a produtividade e o rendimento das UVRs. A renda média mensal dos catadores, por exemplo, passou de R$ 1.275 em julho de 2024 para R$ 2.129 em setembro de 2025, com projeção de chegar a R$ 2.400 até o fim de 2026. “Temos indicadores muito positivos, por isso lançamos o convênio Expansão UVR, para levar essa metodologia às demais unidades”, explicou.

Troca de experiências

O trabalho conjunto das mulheres nas UVRs de Foz do Iguaçu chamou a atenção da catadora Rosimari Ferreira, de Ribeirão Claro. “Está sendo muito positivo ver o que funciona aqui e o que podemos levar para nossa UVR. A união e o posicionamento das mulheres no trabalho me inspiraram. Volto mais fortalecida para compartilhar com minhas colegas.”

Josélia Silvana Rodrigues, da Associação de Recicladores Amigos da Natureza (Aran), de Jaguariaíva, destacou a troca de aprendizados. “Eles são muito organizados. Vimos que muitas práticas que adotam aqui também aplicamos na nossa cidade. Essa troca é importante porque os desafios são semelhantes, e a metodologia pode ser replicada em outros locais”, comentou.