FOZ DO IGUAÇU | PR – Os números não mentem, mas incomodam. Um estudo detalhado, apresentado nesta terça-feira (31) na plenária do Codefoz, expôs uma realidade matemática cruel para o extremo-oeste paranaense: a região é uma potência econômica, mas uma periferia política. O estudo, realizado pelo Conselho de Desenvolvimento de Medianeira (Codemed) e pela Caciopar, mostra que os 18 municípios da região contribuíram com R$ 23,2 bilhões em impostos nos últimos quatro anos, mas receberam apenas R$ 130 milhões em verbas de deputados estaduais entre 2019 e 2025.
O descompasso é alarmante: para cada R$ 1 que retorna via emendas e investimentos parlamentares, a região enviou R$ 178 para as estruturas estadual e federal. “Reclamar não vai adiantar. O futuro da nossa região vai ser decidido por quem se organiza”, convocou Jaime Tezza, diretor-executivo do Codemed.
O levantamento aponta que o déficit de representatividade é agravado pela dispersão de votos. No último pleito, o extremo-oeste tinha 414 mil cidadãos aptos a votar, mas a captura de votos por candidatos “de fora” pulverizou o poder regional.
Em 2022, dos 860 candidatos a deputado estadual no Paraná, 682 receberam votos na região. O cenário em Foz do Iguaçu é ainda mais fragmentado: o eleitorado iguaçuense destinou votos a 586 concorrentes à Assembleia Legislativa e a 396 que buscavam uma cadeira na Câmara Federal. Essa dispersão impede a formação de uma bancada regional forte e coesa.
O Paradoxo Iguaçuense
Em Foz do Iguaçu, o cenário apresenta um paradoxo acentuado. Enquanto a cidade atravessa um “boom” na construção civil e o fortalecimento do turismo com novos atrativos, a representação política não acompanha o ritmo de crescimento. Historicamente, o município enfrenta dificuldades crônicas para eleger e manter representantes locais comprometidos com as demandas reais da fronteira.
Quando elege, muitos demonstram ineficiência e distanciamento das pautas prioritárias. Além disso, Foz tornou-se alvo de “candidatos de ocasião”: políticos que transferem seus títulos eleitorais para o município apenas para se aproveitar do crescimento econômico e da visibilidade da fronteira, sem oferecer contrapartida real ou possuir conhecimento sobre as necessidades da população local. São descritos pelas lideranças como “espertalhões” que buscam votos em um território que desconhecem.
O déficit de representatividade é agravado pela pulverização do eleitorado. No último pleito, o extremo-oeste somava 414 mil cidadãos aptos a votar, mas a captura de votos por candidatos externos enfraqueceu o poder regional.
Os números de 2022 em Foz do Iguaçu impressionam pela dispersão: o eleitorado local destinou votos a 586 candidatos à Assembleia Legislativa e a 396 que buscavam assento na Câmara Federal. Dos 860 candidatos a deputado estadual no Paraná, 682 receberam votos na região; entre os 600 postulantes a deputado federal, 529 foram votados nas 18 localidades do extremo-oeste.
Mobilização por candidaturas viáveis em 2026
O presidente do Codefoz, Marcelo Brito, enfatizou que a proposta é criar um colegiado regional cujo objetivo é mobilizar a sociedade em torno do “voto qualificado” e pressionar partidos políticos para que lancem candidaturas parlamentares que sejam tecnicamente viáveis e comprometidas com o território, visando diminuir a fragmentação causada por nomes com votações inexpressivas.
A campanha, de caráter apartidário, foca em cinco pautas estruturantes: segurança pública, saúde de alta complexidade, infraestrutura logística, educação e estabilidade elétrica. Lideranças como a presidente do Codemed, Margarete Caovilla, e diretores da Caciopar reforçaram que a união é o único caminho para sustentar a força política condizente com a pujança econômica da região, que detém um PIB de R$ 33,3 bilhões — 5% de toda a riqueza do Paraná.
A plenária mostrou alinhamento entre diferentes setores. O presidente da Câmara de Foz, Paulo Debrito (PL), destacou que a região tem potencial para ampliar significativamente o número de cadeiras no Legislativo. O vice-prefeito, Ricardo Nascimento (PSD), defendeu a ampla difusão desses dados para conscientizar a população sobre o desequilíbrio fiscal.
Os vereadores Sidnei Prestes (Mobiliza), Adnan El Sayed (PSD) e Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) também reforçaram a necessidade de uma articulação que garanta que as emendas parlamentares tenham finalidade real e que o eleitor entenda a importância de votar em representantes que pertençam e conheçam o território.
*Com informações do Codefoz
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