Estudantes de El Salvador enfrentaram filas em barbearias nos últimos dias para se adequar à nova exigência do governo de Nayib Bukele, que determinou padrões de corte de cabelo e vestimenta nas escolas. A medida, anunciada pela nova ministra da Educação, Karla Trigueros, entrou em vigor nesta semana e pretende, segundo o governo, “fortalecer a disciplina e a ordem” no sistema educacional.
De acordo com orientações enviadas às instituições, os diretores escolares deverão fiscalizar diariamente se os alunos estão com o uniforme limpo, o corte de cabelo considerado adequado e a apresentação pessoal compatível com as regras. O cumprimento de protocolos de “cumprimentos respeitosos” também faz parte das novas normas.
Trigueros advertiu que a omissão na fiscalização será considerada falta grave e pode resultar em sanções administrativas contra gestores escolares.
Nas redes sociais, Bukele saiu em defesa das medidas, afirmando que a disciplina é essencial para a “transformação” educacional em El Salvador:
“Para construir o El Salvador que sonhamos, devemos transformar por completo nosso sistema educacional. Deus, união e liberdade!”, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).
Contexto político e críticas internacionais
Desde que assumiu em 2019, Bukele consolidou uma imagem de governante popular e autoritário. Ele aprovou uma reforma constitucional que eliminou limites de mandatos presidenciais, abrindo caminho para sua permanência indefinida no poder.
Sua política de combate às gangues, com megaprisões e encarceramento em massa, reduziu a violência, mas recebeu críticas de organizações de direitos humanos, que denunciam abusos, perseguições e casos de tortura.
O presidente, de 44 anos, costuma ironizar sua postura autoritária ao se autoproclamar “o ditador mais legal do mundo”, título que lhe rendeu simpatia de apoiadores como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Além disso, Bukele já se posicionou publicamente contra a comunidade LGBTQIA+ e contra debates sobre gênero, classificando-os como “antinaturais, anti-Deus e antifamília”.
Perfil da nova ministra
A ministra da Educação, Karla Trigueros, é capitã e médica, e foi nomeada como símbolo da promessa de Bukele de “quebrar paradigmas”. Para críticos, a nomeação reforça a tendência de militarização das políticas públicas em El Salvador.