Em celebração ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Governo Federal anunciou nesta terça-feira (15) um pacote de medidas estruturais voltadas ao fortalecimento do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). As ações incluem investimentos anuais de R$ 20 milhões, a criação de um programa de qualificação de profissionais de saúde e a instituição da Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT) — o primeiro documento oficial a reunir diretrizes éticas e operacionais do sistema desde sua criação, em 1997.
O anúncio foi feito em meio a um cenário de crescimento histórico: 14,9 mil transplantes foram realizados no primeiro semestre de 2025, um aumento de 21% em relação a 2022, consolidando o Brasil como 3º país do mundo em número de transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos e da China — e o 1º em volume de procedimentos realizados integralmente por um sistema público.
💬 “Confiar é o primeiro passo para salvar vidas”, diz ministro Padilha
Apesar do avanço, o país ainda enfrenta um desafio persistente: a taxa de recusa familiar à doação, que hoje chega a 45%.
Para reverter esse índice, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT), cujo foco é qualificar o diálogo com as famílias e valorizar as equipes hospitalares que atuam na identificação de potenciais doadores.
“A principal mensagem que queremos passar às famílias é a segurança e a seriedade do Sistema Nacional de Transplantes, reconhecido mundialmente”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Quando um profissional aborda uma família, ele representa um sistema sólido e ético. Mas é essencial que o desejo de doar seja manifestado previamente à família”, completou.
O PRODOT também prevê incentivos financeiros para as equipes conforme o volume de atendimentos e indicadores de desempenho, reconhecendo o papel dos profissionais que acompanham as famílias nos momentos mais delicados do processo.
🫀 Campanha nacional reforça importância da conversa em família
Junto às medidas, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”, voltada à conscientização da população sobre a importância de manifestar o desejo de doar.
No Brasil, a autorização para doação depende exclusivamente da família do doador, e atualmente mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante.
“Esse gesto, mesmo em um momento de dor, pode salvar três ou quatro vidas e manter viva a memória do ente querido. Por isso, investimos também na formação de profissionais para acolher e orientar as famílias com empatia e cuidado”, concluiu Padilha.
🧩 Política Nacional de Doação e Transplantes: marco regulatório inédito
A PNDT consolida os princípios de ética, transparência, anonimato e gratuidade que regem o Sistema Nacional de Transplantes.
Com ela, o Brasil passa a ter critérios padronizados para priorização de pacientes, ampliação de exames e novos protocolos clínicos, fortalecendo a rede de atenção e o controle social sobre o sistema.
O pacote inclui:
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R$ 13 milhões destinados à inclusão de novos procedimentos no SUS;
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R$ 7,4 milhões voltados ao PRODOT;
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reajuste de 400% no valor da diária de reabilitação intestinal, que passa de R$ 120 para R$ 600;
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incorporação de transplantes de intestino delgado e multivisceral, ampliando o tratamento de pacientes com falência intestinal;
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uso rotineiro da membrana amniótica em pacientes queimados, especialmente crianças;
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implantação da prova cruzada virtual, exame remoto que acelera a compatibilidade entre doador e receptor;
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critérios específicos de priorização para pacientes hipersensibilizados, reduzindo o tempo de espera e aumentando as chances de sucesso;
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teste de quimerismo para transplantes de medula óssea, que monitora rejeição e orienta condutas médicas.
✈️ Logística salva-vidas: o papel da Força Aérea Brasileira
A operação logística do sistema é um dos pilares da política. A Força Aérea Brasileira (FAB) é responsável pelo transporte de órgãos e equipes médicas em todo o país, garantindo que os transplantes ocorram dentro da janela de viabilidade dos órgãos.
Entre 2016 e setembro de 2025, a FAB realizou 1.988 missões TOTEQ (Transporte de Órgãos, Tecidos e Equipes), totalizando 10.926 horas de voo e o transporte de 2.400 órgãos, sendo os mais frequentes fígado (1.130) e coração (704).
Somente em 2025, foram 196 órgãos transportados, com 175 solicitações atendidas e mais de 1.100 horas de voo.
🩺 Sistema que salva vidas
Com os novos investimentos, o Governo Federal busca ampliar o número de transplantes e reduzir a espera dos pacientes, reforçando a importância do SUS como um dos maiores e mais eficientes sistemas públicos de transplante do mundo.
“Doar é um gesto de humanidade e esperança. Cada órgão transportado é uma vida salva. O Brasil tem orgulho de ter um sistema público capaz de realizar isso com excelência”, declarou Padilha.