O Brasil encerrou 2024 com a taxa média de desemprego mais baixa desde o início da série histórica, em 2012, alcançando 6,6%. Este resultado supera a menor taxa anterior, registrada em 2014, que foi de 7,1%. O número de pessoas desocupadas caiu 1,1 milhão, totalizando 7,4 milhões, a menor quantidade desde 2014.

Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na pesquisa Pnad Contínua mostram que a taxa de desocupação teve uma queda de 1,2 ponto percentual em relação a 2023, quando a taxa foi de 7,8%. No último trimestre de 2024, a taxa de desocupação foi de 6,2%, ligeiramente abaixo dos 6,4% registrados no trimestre anterior.

Recorde de Empregos

A população ocupada média em 2024 também foi a mais alta da série histórica, com 103,3 milhões de pessoas, representando um aumento de 2,6% em relação a 2023, quando eram 100,7 milhões. O nível de ocupação, que mede a porcentagem de pessoas empregadas em relação à população em idade de trabalhar, atingiu 58,6%, o maior patamar já registrado, com um aumento de 1 ponto percentual em relação a 2023.

Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, afirmou que os resultados de 2024 demonstram a continuidade do crescimento do número de trabalhadores, iniciado após a recuperação das perdas provocadas pela pandemia de COVID-19. “Os ganhos em 2023 e 2024 foram expressivos”, destacou.

Emprego Formal e Informal

O número de empregados com carteira de trabalho assinada cresceu 2,7% em 2024, totalizando 38,7 milhões, o maior já registrado. O contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado também atingiu recorde, com um aumento de 6%, somando 14,2 milhões de pessoas. A expansão no emprego foi especialmente notável no setor privado, abrangendo tanto trabalhadores formais quanto informais, com destaque para as áreas de indústria, serviços e construção.

Aumento do Rendimento

O rendimento real habitual foi estimado em R$ 3.225, um aumento de 3,7% (ou R$ 115) comparado a 2023. Este é o maior valor desde 2014, que registrou R$ 3.120. A coordenadora Beringuy ressaltou que o crescimento do rendimento foi observado tanto entre trabalhadores formais quanto informais, contribuindo para o aumento da massa de rendimento.

Análise Setorial

No último trimestre de 2024, a população desocupada foi de 6,8 milhões, sem variação significativa em relação ao trimestre anterior, mas com uma queda de 15,6% (menos 1,3 milhão de pessoas) em comparação ao ano. A análise entre os grupamentos de atividade mostrou crescimento em segmentos como Construção (4,4%), Transporte, Armazenagem e Correio (5,0%) e Alojamento e Alimentação (3,9%). Em contrapartida, o setor de Agricultura teve uma redução de 2,4%.

Movimentação no Setor

Beringuy concluiu que a construção e os serviços se destacaram no quarto trimestre, com um aumento contínuo no número de ocupados. O setor de construção, focado em edificações e reformas, e os serviços de transporte e logística também mostraram crescimento, impulsionados pela demanda gerada por vendas online durante períodos de maior consumo, como Black Friday e festas de fim de ano.