BOA VISTA | RR – O Brasil consolidou sua posição de vanguarda na saúde pública ao tornar-se o primeiro país do mundo a disponibilizar a tafenoquina pediátrica de 50mg pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde iniciou, nesta segunda-feira (2), a distribuição do tratamento inovador contra a malária focado no público infantil, que atualmente concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. O primeiro lote do medicamento é destinado prioritariamente ao Território Yanomami, abrangendo comunidades em Roraima (RR) e no Amazonas (AM).

Até então, a tafenoquina era ofertada apenas para jovens e adultos acima de 16 anos. A nova formulação pediátrica é indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. O investimento inicial é de R$ 970 mil para a aquisição de 126.120 comprimidos, com foco em áreas de alta incidência na região Amazônica.

Distribuição prioritária em territórios indígenas do Norte

O Ministério da Saúde já recebeu 64.800 unidades que estão sendo encaminhadas aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Além do território Yanomami (RR/AM), que recebeu 14.550 comprimidos na primeira etapa, a logística contempla os distritos do Alto Rio Negro (AM), Rio Tapajós (PA), Manaus (AM), Vale do Javari (AM) e Médio Rio Solimões e Afluentes (AM). Estas regiões concentram metade dos casos de malária entre crianças e jovens de até 15 anos no Brasil.

O secretário de Saúde Indígena (SESAI), Weibe Tapeba, ressaltou a importância estratégica de levar tecnologias de uso simplificado para áreas remotas.

Esse é mais um exemplo da potência do Sistema Único de Saúde ao incorporar um medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência sanitária.

Revolução no tratamento e adesão terapêutica

Diferente do esquema anterior, que exigia até 14 dias de medicação e dificultava a adesão das famílias, a nova apresentação da tafenoquina é administrada em dose única. A medida garante a eliminação completa do parasita Plasmodium vivax, responsável por 80% dos casos no país, e previne recaídas.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Batista Galvão Simão, enfatizou que o alcance do medicamento em áreas isoladas pode gerar um impacto direto na redução da transmissão comunitária.

À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades. Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença.

Resultados e monitoramento na região Amazônica

O enfrentamento à malária integra o Programa Brasil Saudável, que visa combater doenças que afetam populações em situação de vulnerabilidade social. Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos da doença desde 1979, com uma redução de 15% em comparação ao ano anterior. Especificamente em áreas indígenas, a queda foi de 16%.

No Território Yanomami (RR/AM), o reforço nas equipes de saúde e a intensificação dos diagnósticos resultaram em uma redução de 70% nos óbitos pela doença entre 2023 e 2025. O governo segue intensificando a busca ativa e a distribuição de mosquiteiros impregnados como medidas complementares ao novo tratamento medicamentoso.

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