Brasília, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na terça-feira (17), no Palácio do Planalto, a delegação brasileira dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. O encontro contou com a presença do atleta Cristian Ribera, responsável pela conquista da primeira medalha do Brasil na história da competição, ao garantir a prata na prova de sprint do esqui cross-country.
Durante a recepção, o presidente ressaltou o papel do esporte na transformação social e destacou a importância do exemplo dos atletas paralímpicos.
“É importante o exemplo de vocês. Para mostrar que ninguém, nenhum pai, nenhuma mãe tem o direito, de porque o filho tem um problema, dizer: ‘não vai sair de casa, ele não pode, ele é um coitadinho’. Não. Ele não é coitadinho, ele só está precisando que você não veja que ele é coitadinho. Leve ele para fazer alguma coisa. Mostre que ele consegue. A gente acredita que, por meio do esporte, a gente pode mudar a vida e a consciência das pessoas”, declarou.
Lula também mencionou o impacto do programa Bolsa Atleta, criado em 2004, como instrumento de apoio ao desenvolvimento esportivo no país.
“Nós precisamos mostrar que não existe nada impossível para um ser humano quando ele tem duas coisas. Primeiro, ele tem que ter oportunidade. Segundo, é preciso que haja ajuda para que as pessoas possam ter condição de fazer. Quando nós criamos o Bolsa Atleta nesse país, é importante lembrar que tinha gente no Brasil que praticava atletismo e não tinha dinheiro para comprar um tênis. Se a pessoa não tem dinheiro para comprar um tênis, a pessoa não vai ser um atleta profissional nunca”, afirmou.
Cristian Ribera, que também conquistou o Globo de Cristal da temporada 2025 do circuito mundial da modalidade, destacou a importância da dedicação e do apoio no esporte paralímpico.
“Eu diria para sonhar grande, porque se esse sonho apareceu na sua cabeça é porque Deus sabe o que faz. E sabe que você é capaz. Continue forte, busque ajuda de pessoas ao seu redor, pessoas que você goste e que vão fazer você melhorar. Vai dar tudo certo com você se dedicando, se comprometendo 100%”, disse.
A atleta Aline Rocha também teve desempenho relevante nos Jogos. Natural de Pinhão (PR), ela chegou à final do sprint do cross-country e terminou na quinta colocação, melhor resultado feminino do Brasil em edições de inverno.
“A gente tem que agradecer, principalmente ao programa Bolsa Atleta, que é o que faz com que a gente possa dedicar nossa vida exclusivamente ao esporte. E desde o momento em que a gente acorda até o momento em que a gente vai dormir, a gente não tem outras preocupações. Porque a gente tem a certeza que tem tudo: a melhor estrutura, o melhor treinamento, a melhor equipe por trás para chegar nos Jogos e brilhar. E, com certeza, daqui a quatro anos a gente vai estar lá de novo, trazendo muito mais conquistas”, afirmou.
O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), José Antônio Freire, informou que a entidade pretende ampliar o alcance dos centros de referência no país.
“Hoje, a gente tem 103 centros de referências atendendo pessoas com deficiência em todo o Brasil. E a gente quer chegar, em alguns anos, a 500 centros de referência. Queremos atender 10% dos municípios com esse projeto”, destacou.
Já o ministro do Esporte, André Fufuca, enfatizou a importância das iniciativas voltadas ao desenvolvimento esportivo.
“Esses núcleos atendem mais de 40 mil pessoas por ano, crianças, jovens, pessoas que não conhecem o esporte. É uma iniciativa feita pelo CPB, que tem um serviço de excelência. Você pega a evolução do esporte paralímpico brasileiro nos últimos 10 anos, é incomparável com o passado. A gente está hoje, nos esportes olímpicos de verão, em quarto lugar. E eu não tenho dúvida que o Brasil vai estar no top 3 na próxima Olimpíada”, declarou.
O Brasil encerrou a participação nos Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026 no domingo (15), na Itália, com resultados históricos. Além da medalha inédita, o país alcançou o sétimo lugar no revezamento misto do cross-country, com a equipe formada por Cristian Ribera, Wellington da Silva e Aline Rocha.
A delegação brasileira também competiu nas modalidades de biatlo e snowboard. No snowboard, disputado em Cortina d’Ampezzo, André Barbieri e Vitória Machado representaram o país, com Barbieri atuando como porta-bandeira na cerimônia de encerramento.
Com o desempenho em Milão-Cortina 2026, o Brasil registra avanço técnico e maior competitividade nos esportes paralímpicos de inverno. A próxima edição dos Jogos será realizada em 2030, nos Alpes Franceses.
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