O mercado de trabalho brasileiro segue em ritmo positivo e consolida um novo marco histórico. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego manteve-se em 5,6% no trimestre encerrado em agosto de 2025 — o menor nível desde o início da série, em 2012.

Em comparação ao mesmo período do ano passado, o recuo foi de um ponto percentual (de 6,6% para 5,6%), sinalizando um mercado mais aquecido e sustentado pela geração formal de empregos.

A população desocupada caiu para 6 milhões de pessoas, o menor contingente já registrado pelo levantamento, enquanto o número de brasileiros ocupados chegou a 102,4 milhões, novo recorde histórico.

📊 Mercado de trabalho em expansão

Os números refletem uma tendência de estabilidade e crescimento do emprego formal, também confirmada pelo Novo Caged, divulgado na segunda-feira (29), que mostrou a criação de 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada nos primeiros oito meses de 2025 — totalizando 4,63 milhões desde janeiro de 2023.

“Mais de 4,6 milhões de novos empregos desde o início do nosso governo. A taxa de desemprego na mínima histórica é um reflexo de uma economia que está voltando a gerar oportunidades em todo o país”, publicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas redes sociais.

📉 Queda da desocupação e estabilidade na renda

O contingente de 6 milhões de pessoas desempregadas representa uma redução de 605 mil em relação ao trimestre anterior (-9%) e de 1 milhão na comparação anual (-14,6%).

A taxa de ocupação — proporção de pessoas trabalhando em relação à população em idade ativa — atingiu 58,1%, o maior índice da série histórica.

O rendimento médio real chegou a R$ 3.488, com alta de 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
A massa de rendimentos, que soma os ganhos de todos os trabalhadores, foi de R$ 352,6 bilhões, o que representa aumento de 5,4% no comparativo anual.

💼 Recorde no setor privado e novos perfis de contratação

O setor privado foi o principal motor da expansão:

O destaque foi o crescimento dos empregos formais (+1,2 milhão), enquanto o trabalho informal e o doméstico mostraram retração moderada.

Entre os setores que mais empregaram no trimestre estão agricultura e pecuária (+4,4%), e serviços públicos, saúde e educação (+1,7%).
A indústria e o comércio mantiveram estabilidade, enquanto o grupo de serviços domésticos teve leve recuo (-3%).

🌎 Impacto econômico e social

Os resultados reforçam o bom momento da economia brasileira, impulsionado pelo consumo interno, investimentos públicos e recomposição da renda.

Para especialistas, o nível atual de desemprego indica pleno emprego técnico — quando praticamente todos os trabalhadores que desejam um posto têm alguma ocupação disponível.

O desafio, agora, é ampliar a qualidade das vagas, com políticas de valorização salarial e de qualificação profissional.

🧭 Sobre a pesquisa

A PNAD Contínua é a principal pesquisa de monitoramento da força de trabalho no Brasil.
Com base em 211 mil domicílios, distribuídos em todos os estados e no Distrito Federal, ela traça um retrato trimestral sobre emprego, renda e ocupação.

A próxima divulgação do IBGE está prevista para 31 de outubro.