O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu aceitar o convite da Opep+ e o Brasil se tornará membro do fórum da Organização dos Países Produtores de Petróleo. A decisão foi tomada em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta terça-feira (18) e marca a entrada do país em um grupo que não possui obrigações de cortes de produção.
Histórico do convite e críticas
O convite para que o Brasil integrasse a Opep+ foi feito há mais de um ano. Em novembro de 2023, o governo brasileiro iniciou a avaliação da proposta. A confirmação da adesão ocorreu durante a viagem de Lula à Arábia Saudita, durante a cúpula do clima em Dubai, evento que levantou críticas, uma vez que buscava alternativas aos combustíveis fósseis.
A adesão do Brasil à Opep+ vem em um momento estratégico, próximo à realização da COP30, que será sediada em Belém (PA). O CNPE, presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, discutiu a integração do Brasil em três organismos internacionais: a AIE (Agência Internacional de Energia), a Irena (Agência Internacional para as Energias Renováveis) e a Opep+.
Implicações da adesão
A participação no fórum não limita a capacidade do Brasil de explorar e gerir seus recursos naturais, permitindo que o país continue a desenvolver sua política energética de acordo com seus próprios interesses. Na mesma reunião, o CNPE aprovou a licitação de blocos de petróleo que podem resultar em uma arrecadação superior a R$ 522 bilhões ao longo de seus projetos.
Esses blocos estão localizados no polígono do pré-sal, na Bacia de Campos, e se somam a outros 24 blocos já autorizados, com a expectativa de que o próximo leilão, programado para junho, seja o maior em termos de quantidade de blocos disponíveis.
Estrutura e impacto da Opep
A Opep, criada em 1960, é composta por 13 países que são grandes exportadores de petróleo e responde por 30% da produção global. O grupo, que inclui países como Arábia Saudita, Irã e Venezuela, visa estabelecer políticas comuns sobre a produção e venda de petróleo, influenciando os preços no mercado internacional.
A Opep+ foi formada em 2016, unindo a Opep a outros dez grandes produtores, totalizando 23 países, com a Rússia como membro proeminente. Com a adesão do Brasil, o país se junta a essa coalizão, embora sem direito a voto nas deliberações.
Papel da Petrobras
O Brasil é um dos dez maiores exportadores de petróleo do mundo, com a Petrobras sendo sua principal produtora. No entanto, a estrutura da Petrobras, que é uma empresa de capital misto, pode dificultar a implementação de cortes ou aumentos de produção em resposta a decisões da Opep.