Brasília–DF – A Polícia Federal prendeu na manhã deste sábado (22) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumprindo mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista, estava em prisão domiciliar há mais de 100 dias.
A prisão foi executada na residência do ex-presidente, em Brasília, por volta das 6h. Ele foi levado inicialmente à sede da PF e, em seguida, transferido para a Superintendência da corporação, onde permanecerá em uma “Sala de Estado”, espaço reservado a autoridades.
Motivo da prisão preventiva
Segundo a decisão do STF, a medida foi tomada após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar uma vigília de apoiadores em frente ao condomínio do pai na noite de sexta-feira (21). Moraes entendeu que a mobilização poderia indicar tentativa de fuga, obstrução de fiscalização e repetição de estratégias usadas pela organização criminosa da qual o ex-presidente é acusado de ser líder.
“A conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu”, escreveu Moraes.
O ministro também citou o episódio já apurado na investigação, em que Bolsonaro teria planejado fugir para a embaixada da Argentina buscando asilo político.
Risco de fuga e desrespeito às instituições
Moraes destacou que a casa onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar fica a cerca de 13 km do Setor de Embaixadas Sul, distância que poderia ser percorrida em menos de 15 minutos. Ele ainda mencionou que o vídeo publicado por Flávio Bolsonaro “incita o desrespeito ao texto constitucional e às decisões judiciais”.
Michelle Bolsonaro não estava em casa no momento da abordagem.
Exame de corpo de delito e trâmites iniciais
Após a chegada a PF, agentes do Instituto Médico-Legal realizaram o exame de corpo de delito no próprio prédio para evitar exposição pública. Até as 6h40, segundo nota, a defesa ainda não havia sido formalmente comunicada da prisão.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto por descumprir medidas cautelares impostas pelo STF, entre elas a proibição de usar redes sociais direta ou indiretamente.
Condenação e pedido da defesa
A prisão preventiva decretada neste sábado não está ligada diretamente à condenação pelos atos golpistas, que ainda aguarda julgamento de recursos.
Na sexta-feira (21), os advogados do ex-presidente haviam protocolado pedido para que o regime inicial fechado fosse substituído por prisão domiciliar humanitária, alegando “quadro clínico grave” e “risco concreto à vida” caso ele fosse levado ao sistema prisional comum.
A defesa informou que recorrerá da decisão do STF.
A reportagem segue em atualização.