RIO DE JANEIRO (RJ) – Francisco de Paula Brito, conhecido como Paula Brito, foi um dos personagens centrais da história da imprensa e da literatura brasileira no século XIX. Nascido em 2 de dezembro de 1809, no centro do Rio de Janeiro, sua trajetória multifacetada o consagrou como editor, jornalista, escritor, poeta, dramaturgo, tradutor e letrista, além de articulador cultural e político em um período decisivo da formação intelectual do país.

Filho do carpinteiro Jacinto Antunes Duarte e de Maria Joaquina da Conceição Brito, Paula Brito nasceu na então Rua do Piolho, atual Rua da Carioca. De origem humilde, aprendeu a ler com a irmã e viveu em Magé dos seis aos quinze anos. Em 1824, retornou ao Rio de Janeiro acompanhado do avô, o sargento-mor Martinho Pereira de Brito, iniciando uma trajetória que o colocaria no centro da vida cultural da capital do Império.

Sua carreira profissional começou como ajudante de farmácia e aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional. Mais tarde, atuou no Jornal do Commercio como diretor de prensas, redator, tradutor e contista. Em 1830, casou-se com Rufina Rodrigues da Costa, que teria mais tarde papel fundamental na continuidade de seu empreendimento editorial.

Em 1831, Paula Brito adquiriu um pequeno estabelecimento na Praça da Constituição, nº 51, onde funcionavam uma papelaria, uma oficina de encadernação e um ponto de venda de chá. A instalação de um prelo marcou o início de sua consolidação como editor. Poucos anos depois, já comandava a Typographia Fluminense e a Typographia Imparcial, expandindo sucessivamente seus negócios e instalações.

Até 1848, seu complexo editorial contava com seis impressoras manuais e uma mecânica. A chamada “Loja do Canto”, localizada na Rua da Constituição, tornou-se sua principal livraria e papelaria, além de um espaço de convivência intelectual. Paula Brito também criou filiais e sociedades editoriais, incluindo empreendimentos em Niterói.

Mais do que empresário, Paula Brito destacou-se como ativista político e pioneiro no debate racial no Brasil. Sua tipografia imprimiu o jornal O Homem de Cor, considerado o primeiro periódico brasileiro voltado ao enfrentamento do preconceito racial, o que o consagra como precursor da imprensa negra no país. No período Regencial, sua oficina tornou-se espaço estratégico para a circulação de ideias políticas, inclusive de forma sigilosa.

Em sua livraria, fundou a Sociedade Petalógica do Rossio Grande, um círculo literário que reunia nomes centrais do romantismo brasileiro, como Gonçalves Dias, Joaquim Manuel de Macedo e Manuel Antônio de Almeida. O local consolidou-se como ponto de efervescência cultural, frequentado por escritores, políticos e artistas.

Em 1851, a revista A Marmota na Corte inovou ao incluir encartes de figurino, levando Paula Brito a trazer de Paris o litógrafo Louis Therier. Um ano antes, em 2 de dezembro de 1850, criou a Imperial Typographia Dous de Dezembro, data que coincidia com seu aniversário e o de Dom Pedro II, que se tornou acionista do empreendimento, em um apoio de caráter pessoal e cultural.

Paula Brito é reconhecido como o primeiro editor brasileiro genuinamente não especializado, imprimindo obras de diferentes áreas e temas. Em 1832, participou da edição da primeira revista feminina do país, A Mulher do Simplício, posteriormente substituída por A Marmota, que circulou até 1864. Também foi um dos primeiros contistas brasileiros e publicou centenas de obras não periódicas, com destaque para o incentivo à dramaturgia e à literatura nacional.

Entre os talentos que passaram por sua tipografia estão Casimiro de Abreu e Machado de Assis, que iniciou sua carreira como revisor de provas e publicou seus primeiros textos literários em revistas editadas por Paula Brito. Ele foi, portanto, o primeiro editor de Machado de Assis, exercendo papel decisivo na formação do maior escritor brasileiro.

Após a liquidação da Typographia Dous de Dezembro em 1857, Paula Brito manteve sua atividade editorial com apoio financeiro do imperador, mas com produção reduzida. Faleceu em 15 de dezembro de 1861, em sua residência no Campo de Sant’Anna, no Rio de Janeiro.

Após sua morte, a viúva Rufina Rodrigues da Costa Brito deu continuidade ao negócio, primeiro em sociedade com o genro e, depois, sozinha, mantendo a tipografia ativa até 1875. O legado de Francisco de Paula Brito permanece como um dos pilares da história da imprensa, da literatura e do pensamento social brasileiro.

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