Londres, Inglaterra – Charles Spencer Chaplin nasceu em 16 de abril de 1889 e tornou-se um dos artistas mais influentes da história do cinema mundial. Ator, cineasta, diretor, produtor, roteirista, compositor e dançarino, Chaplin alcançou projeção internacional durante a era do cinema mudo, período em que construiu uma linguagem universal baseada na mímica, no humor físico e na crítica social. Seu personagem mais emblemático foi “O Vagabundo” (The Tramp), conhecido no Brasil como Carlitos, figura que sintetizava pobreza, elegância, ingenuidade e dignidade humana.
Filho de artistas do teatro de variedades, Chaplin teve uma infância marcada por dificuldades. Seu pai, Charles Spencer Chaplin Sr., cantor e ator, morreu em 1901 em decorrência do alcoolismo, enquanto sua mãe, Hannah Chaplin, cantora e atriz, foi internada em instituições psiquiátricas. Ainda criança, Chaplin passou por casas de trabalho e escolas para crianças pobres, experiências que influenciaram profundamente sua visão humanista e seu olhar crítico sobre a desigualdade social.
Ainda muito jovem, iniciou carreira nos palcos londrinos como mímico e ator de teatro popular. Em 1908 integrou companhias de variedades e, em 1910, partiu para sua primeira turnê pelos Estados Unidos com a trupe de Fred Karno. O sucesso nos palcos abriu caminho para o cinema, e em 1913 Chaplin estreou nos estúdios da Keystone Film Company. Foi nesse período que criou, em 1914, o personagem “O Vagabundo”, consolidado definitivamente em 1915 e responsável por torná-lo uma das maiores estrelas do cinema mudo.
Chaplin rapidamente passou a exercer controle criativo sobre suas produções, dirigindo, roteirizando, editando e produzindo seus próprios filmes. Entre suas obras mais importantes estão O Garoto (1921), que mistura comédia e drama ao retratar a relação entre um vagabundo e uma criança abandonada; Em Busca do Ouro (1925), ambientado durante a corrida do ouro no Alasca; Luzes da Cidade (1931), filme mudo lançado já na era do cinema falado; Tempos Modernos (1936), uma sátira à mecanização e à alienação do trabalho industrial; e O Grande Ditador (1940), sua primeira obra falada, em que critica abertamente o nazismo e as perseguições raciais na Europa.
A vida pessoal de Chaplin também foi marcada por intensa exposição pública. Casou-se quatro vezes, sendo que, em 1943, aos 54 anos, uniu-se a Oona O’Neill, filha do dramaturgo irlandês Eugene O’Neill, então com 18 anos. O casal permaneceu junto até a morte do cineasta e teve oito filhos. Durante a Guerra Fria, Chaplin passou a ser alvo de perseguições políticas nos Estados Unidos, acusado de simpatias comunistas durante o período do macarthismo.
Em 1952, Chaplin deixou os Estados Unidos e fixou residência em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, onde viveu seus últimos anos. Mesmo afastado de Hollywood, continuou a ser reconhecido internacionalmente como um dos grandes mestres da linguagem cinematográfica. Charles Chaplin morreu em 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos, na Suíça, deixando um legado que ultrapassa gerações e permanece central na história do cinema, da cultura popular e da crítica social moderna.
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