Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) não foi apenas um escritor; ele foi o cronista da alma brasileira. Nascido em Itabira–MG, em uma família de proprietários rurais em declínio, Drummond carregou consigo o “sentimento do mundo”. Embora tenha se formado em Farmácia por pressão social, sua verdadeira vocação estava nas palavras, começando a publicar artigos ainda jovem em Belo Horizonte.

O escândalo da “pedra” e o modernismo

Em 1928, Drummond chocou a crítica literária com a publicação de “No Meio do Caminho” na Revista de Antropofagia. O que hoje é um clássico, na época foi chamado de “provocação” e “não-poesia” pela repetição e pelo uso de termos coloquiais como “tinha uma pedra” em vez do formal “havia”.

Foi o início de uma revolução. Em 1930, lançou Alguma Poesia, livro que abre com o icônico Poema de Sete Faces: “Mundo mundo vasto mundo / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”.

Drummond mudou-se para o Rio de Janeiro em 1934, onde atuou como alto funcionário público, mas sua produção literária nunca parou. Seu estilo era único:

Aposentado do serviço público em 1962, Drummond dedicou-se intensamente às crônicas e à poesia até o fim da vida. Sua morte, em 1987, ocorreu apenas doze dias após o falecimento de sua filha e maior incentivadora, Maria Julieta, em um triste epílogo para o mestre que escreveu que “amar se aprende amando”.

Seleção de obras imortais

A vasta produção de Drummond atravessa décadas e estilos:

 

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