OLIVEIRA (MG) – O médico e cientista Carlos Chagas é uma das figuras mais importantes da história da ciência brasileira e mundial. Responsável por descobertas fundamentais no campo das doenças tropicais, ele entrou para a história ao identificar o agente causador, o vetor e o ciclo completo da enfermidade que passou a ser conhecida como doença de Chagas.

Carlos Ribeiro Justiniano Chagas nasceu em 9 de julho de 1879, no município de Oliveira, em Minas Gerais. Filho do cafeicultor José Justino Chagas e de Mariana Cândida Ribeiro de Castro, ficou órfão de pai ainda criança. Estudou no Colégio São Luís, em Itu (SP), antes de ingressar na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, aos 18 anos.

Ainda jovem, destacou-se nos estudos sobre doenças infecciosas. Em 1903, concluiu a tese O ciclo evolutivo da malária na corrente sanguínea, demonstrando desde cedo sua vocação científica. No ano seguinte, instalou um laboratório particular no Rio de Janeiro e passou a dedicar-se intensamente ao estudo das doenças tropicais, especialmente a malária.

Por indicação do professor Miguel Couto, Carlos Chagas passou a trabalhar no então Instituto Soroterápico Federal — hoje Instituto Oswaldo Cruz — sob a orientação do sanitarista Oswaldo Cruz. Nesse período, obteve grande êxito ao liderar campanhas de saneamento que debelaram surtos de malária na Baixada Fluminense e em áreas estratégicas do país.

Em 1901, antes mesmo da descoberta da doença que levaria seu nome, Carlos Chagas foi recrutado para combater uma grave epidemia de malária que atingia trabalhadores na construção de uma represa na região de Santos (SP), chegando a paralisar as obras. Com medidas sistemáticas de saneamento e controle, conseguiu conter rapidamente a propagação da doença.

Entre 1907 e 1909, durante os trabalhos em um laboratório montado nas obras da Estrada de Ferro Central do Brasil, Chagas realizou sua descoberta mais emblemática. Ao estudar o sangue de animais e humanos, identificou o protozoário Trypanosoma cruzi, além de estabelecer sua relação com o inseto conhecido como barbeiro, transmissor da doença. Em 22 de abril de 1909, Oswaldo Cruz anunciou oficialmente à Associação Nacional de Medicina a descoberta da nova enfermidade.

A doença de Chagas é transmitida pelas fezes do barbeiro, inseto que vive principalmente em frestas de casas de barro, na zona rural, e possui hábitos noturnos. Ao coçar a região da picada, a pessoa facilita a entrada do parasita no organismo, iniciando a infecção.

Além da doença de Chagas, Carlos Chagas também contribuiu para o estudo da malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium. Até hoje, não existe vacina eficaz contra a malária, que atualmente se concentra majoritariamente na região da Amazônia Legal.

Em 1918, Carlos Chagas foi convocado pelo presidente Wenceslau Braz para enfrentar a epidemia da gripe espanhola no Rio de Janeiro. A doença contaminou cerca de dois terços da população da cidade e causou mais de 11 mil mortes. Chagas organizou postos de atendimento médico, incentivou pesquisas no Instituto Oswaldo Cruz e implementou medidas preventivas que ajudaram a conter a epidemia ainda naquele ano.

Reconhecido internacionalmente, Carlos Chagas recebeu prêmios e homenagens de diversos países, incluindo Alemanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Seu trabalho projetou o Brasil no cenário científico mundial e permanece como referência até os dias atuais.

Carlos Chagas faleceu em 8 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto, deixando um legado científico que atravessa gerações e continua salvando vidas.

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