Rio de Janeiro–RJ – Poucas figuras na história do Brasil exerceram uma influência tão profunda e silenciosa quanto Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1833–1891). Conhecido como o “Fundador da República Brasileira”, título conferido por seus pares positivistas, Constant foi o elo crucial entre o pensamento acadêmico francês e a ação militar que encerrou o período imperial em 15 de novembro de 1889.
Sua maior marca visual e ideológica sobre o país permanece hasteada em cada praça pública: a expressão “Ordem e Progresso” na bandeira nacional. O lema foi inspirado no ideal de Augusto Comte, que pregava o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim.
A formação intelectual e o início da carreira militar
Nascido em Niterói (RJ), em 18 de outubro de 1833, Benjamin Constant teve uma infância marcada por dificuldades financeiras e pela perda precoce do pai, Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães, em 1849. Apesar das adversidades, sua vocação para os números falou mais alto.
Em 1852, ingressou na Escola Militar, mas seu verdadeiro interesse era a matemática pura. Sua trajetória acadêmica foi brilhante:
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Magistério: Iniciou como professor de matemática na Escola Militar em 1854.
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Ciências Exatas: Bacharelou-se em ciências físicas e matemáticas e concluiu o curso de engenharia militar em 1858.
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Astronomia: Integrou o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro e lecionou no prestigioso Colégio Pedro II.
O trabalho social e a Guerra do Paraguai
Um dos capítulos mais humanos de sua biografia foi a dedicação ao Instituto dos Meninos Cegos (atual Instituto Benjamin Constant). Nomeado professor em 1862, ele dirigiu a instituição por duas décadas, tornando-se referência nacional no ensino para pessoas com deficiência visual.
Em 1866, como capitão, Constant foi convocado para a Guerra do Paraguai. No campo de batalha, não foi atingido por balas, mas pela malária — enfermidade que o acompanharia pelo resto da vida e que, anos mais tarde, seria a causa de seu falecimento. Ao retornar, decidiu dedicar-se exclusivamente ao magistério, embora o Exército tenha recusado seu pedido de dispensa inicial.
O Clube Militar e a Proclamação da República
Em 1887, Constant fundou e presidiu o Clube Militar, que se tornou o principal epicentro da propaganda republicana. Ele foi o articulador que convenceu o Marechal Deodoro da Fonseca a liderar o movimento de 15 de novembro.
Com a vitória da República, assumiu postos estratégicos no Governo Provisório:
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Ministro da Guerra: Onde atuou na transição das forças armadas.
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General-de-brigada: Posto alcançado em 1890.
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Ministro da Instrução Pública: Pasta criada especificamente para ele após divergências com Deodoro, onde tentou aplicar reformas educacionais baseadas na ciência e no positivismo.
O legado do “Pai da República”
Benjamin Constant faleceu prematuramente em 18 de janeiro de 1891, em Niterói, vítima de complicações da malária contraída anos antes. Seu legado, entretanto, permanece como o alicerce intelectual da República, defendendo que a ciência e a educação eram as únicas ferramentas capazes de levar o Brasil ao progresso real.
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