Irineu Evangelista de Sousa (1813–1889), o Barão e posterior Visconde de Mauá, é o maior símbolo do empreendedorismo na história do Brasil. Nascido no Rio Grande do Sul, sua jornada começou com a superação da perda do pai aos oito anos, trabalhando como caixeiro em lojas de tecidos até se tornar sócio de uma influente companhia inglesa aos 23. Foi ali, aprendendo contabilidade e inglês, que ele moldou a visão global que transformaria a infraestrutura brasileira.
O Pioneiro da Modernidade
Mauá não esperou o governo agir; ele antecipou o futuro. Entre suas realizações monumentais, destacam-se:
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Transportes: Inaugurou a primeira estrada de ferro do Brasil (Rio-Petrópolis) em 1854 e criou a Companhia de Navegação a Vapor do Rio Amazonas, conectando a floresta ao mundo.
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Infraestrutura: Fundou o Estaleiro Ponta da Areia, a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro e instalou os primeiros cabos telegráficos submarinos ligando o Brasil à Europa.
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Finanças: Criou o Banco Mauá, MacGregor & Cia, com filiais em Nova Iorque e Londres, e foi peça-chave na fundação do segundo Banco do Brasil.
Conflitos Ideológicos e Abolicionismo
Mauá era um “estranho no ninho” da Corte de Dom Pedro II. Liberal e abolicionista, ele chamava seus empregados de “meus auxiliares” e dava abrigo a escravos foragidos em sua chácara, o que lhe rendeu a antipatia dos poderosos senhores de engenho.
Sua oposição à Guerra do Paraguai e seu financiamento à defesa de Montevidéu o tornaram persona non grata no Império. O preço de sua coragem foi alto: suas fábricas foram alvo de sabotagens e, em 1857, seu estaleiro foi criminosamente incendiado.
A Queda e a Nobreza Final
A crise bancária de 1864 e a legislação que sobretaxava matérias-primas industriais sufocaram seus negócios. Mauá faliu em 1875, sendo obrigado a vender a maioria de suas empresas para capitalistas estrangeiros.
No entanto, sua grandeza não estava no saldo bancário. Mesmo doente e sofrendo de diabete, ele dedicou seus últimos anos a liquidar todas as suas dívidas, garantindo que nenhum credor fosse lesado. Morreu em 1889, poucos dias antes da Proclamação da República, sem patrimônio, mas com a honra intacta.
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