Médicos Sem Fronteiras (MSF) expressou sua forte condenação ao ataque armado ocorrido contra dois barcos da organização, claramente identificados, no estado do Alto Nilo, Sudão do Sul. As embarcações transportavam seis membros da equipe de MSF que retornavam a Ulang após entregarem suprimentos médicos essenciais ao hospital do condado de Nasir. Este incidente não apenas compromete a segurança dos profissionais humanitários, mas também interrompe o envio de ajuda médica a quem mais precisa.

Homens armados não identificados dispararam contra os barcos, obrigando a equipe a pular no rio e nadar em busca de abrigo em um vilarejo próximo. Um dos profissionais sofreu um ferimento durante a fuga e está recebendo tratamento médico. Apesar de todos terem conseguido chegar a Ulang em segurança, o ataque representa uma grave violação dos princípios humanitários e do direito internacional.

“Esses ataques a profissionais de saúde são inaceitáveis e refletem o ambiente volátil em que as organizações humanitárias operam no Sudão do Sul”, declarou Zakaria Mwatia, coordenador-geral de MSF no país. “Os habitantes dos condados de Nasir e Ulang já enfrentam dificuldades para acessar cuidados de saúde. A violência só agrava essa situação, colocando a população em risco ainda maior”, acrescentou.

Como consequência do ataque, a MSF foi forçada a suspender todas as atividades em comunidades remotas nos condados de Nasir e Ulang. A organização pede medidas imediatas para garantir a segurança e a proteção dos profissionais humanitários, além de assegurar a entrega contínua de cuidados de saúde essenciais.

MSF atua no hospital do condado de Nasir, fornecendo suprimentos médicos e capacitando a equipe local para oferecer serviços cirúrgicos. A organização também fornece tratamento para pessoas vivendo com HIV e tuberculose e facilita a transferência de pacientes em estado crítico para o hospital de Nasir. Em Ulang, MSF opera um hospital e mantém uma rede de 13 instalações médicas, ampliando o acesso a cuidados de saúde em áreas remotas.

No Sudão do Sul, a organização atua em seis dos 10 estados do país, oferecendo serviços que incluem cuidados de saúde gerais, apoio psicológico e hospitalização especializada. Além de responder a emergências e surtos de doenças, as equipes móveis da MSF oferecem assistência médica a populações deslocadas e em comunidades isoladas, realizando campanhas de vacinação e outras iniciativas de saúde pública.