A Bahia se prepara para receber uma das obras de infraestrutura mais ambiciosas da história do país. A Ponte Salvador–Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, será a maior da América Latina e uma das mais longas do mundo. O projeto, orçado em R$ 11 bilhões, tem início previsto para junho de 2026, após a conclusão da fase executiva e da construção de uma plataforma provisória no ano anterior.

O empreendimento será executado por um consórcio formado pelas gigantes chinesas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC) — entre as maiores empresas globais do setor de infraestrutura. As corporações venceram o leilão em 2019 e firmaram contrato com o governo baiano em 2020.

Estrutura e dimensões

A Ponte Salvador–Itaparica será composta por três trechos: 4,6 km na aproximação de Itaparica, 6,9 km na aproximação de Salvador e um trecho estaiado de 900 metros, com altura de 85 metros, o equivalente a um prédio de 28 andares, permitindo a passagem de navios transatlânticos, petroleiros e plataformas marítimas.

A dimensão da estrutura supera todas as pontes do continente e se aproxima de referências mundiais como a Vasco da Gama, em Portugal (12,3 km), e a Incheon, na Coreia do Sul (21,3 km). Além disso, o projeto prevê duas pistas duplas em ambos os sentidos, acostamento, iluminação cênica e infraestrutura moderna para o tráfego diário.

Gigantes chinesas investirão R$ 11 bilhões na Ponte Salvador–Itaparica. Foto: Divulgação

Integração viária e desenvolvimento regional

O projeto inclui obras complementares em Salvador e Itaparica. Na capital, serão construídos cerca de 4 km de novas vias, dois túneis e viadutos conectando a Calçada à região de Água de Meninos. Já na Ilha de Itaparica, haverá uma via expressa de 22 km até Cacha Pregos e a duplicação de 8 km da BA-001 até a Ponte do Funil.

Essas intervenções reduzirão em 250 km a distância entre Salvador e o litoral sul da Bahia, encurtando em 40% o tempo de viagem e criando um corredor logístico direto para as BR-101, BR-116 e BR-242. A obra deve beneficiar 10 milhões de pessoas em 250 municípios, transformando a dinâmica econômica, turística e industrial da região.

Empregos e impacto econômico

Durante a construção, estão previstas 7 mil vagas de trabalho, com prioridade para mão de obra local. Na fase de sondagem, já foram contratadas 17 empresas baianas, gerando cerca de 300 empregos diretos e indiretos. O projeto também impulsionará cadeias produtivas de cimento, aço, transporte e serviços especializados.

Negociações e garantias

A execução do contrato foi marcada por longas negociações e só foi homologada após mediação do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). O acordo previu aportes bilionários em garantias e foi validado pelo Senado Federal, assegurando a estabilidade financeira da obra.

Estudos de batimetria, arqueologia, tráfego e impacto ambiental foram concluídos em 2025, com investimento de R$ 200 milhões. O projeto também inclui um mapeamento cultural e social das comunidades tradicionais atingidas, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e o respeito ao patrimônio local.