Curitiba, PR – As políticas públicas e o papel do empreendedorismo na promoção da autonomia econômica das mulheres foram destaque durante o Ato de Mobilização pelo Pacto Brasil Contra o Feminicídio, realizado na última sexta-feira (27), em Curitiba (PR). O evento contou com apoio da Itaipu Binacional e do Ministério das Mulheres, reunindo representantes institucionais e especialistas para discutir estratégias de enfrentamento à violência de gênero por meio da geração de renda e oportunidades.
A programação da tarde foi aberta com a palestra “Políticas Públicas para as Mulheres: Dimensão Interfederativa e Intersetorial”, ministrada por Sandra Kennedy Viana, do Ministério das Mulheres. A apresentação destacou a importância da articulação entre diferentes níveis de governo e setores da sociedade para ampliar o alcance das políticas voltadas à autonomia feminina.
Na sequência, o painel “Empreendedorismo para ser livre: o papel do empreendedorismo na autonomia das mulheres” reuniu lideranças e especialistas vinculadas ao Programa Hangar Mulheres. A iniciativa é desenvolvida pelo Itaipu Parquetec em parceria com o Ministério das Mulheres, Itaipu Binacional, UNICEF, Apex Brasil e a Aliança Empreendedora.
Durante o debate, a coordenadora de Iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão da Itaipu, Victoria Pedro Corrêa, e a diretora administrativo-financeira do Itaipu Parquetec, Clerione Herther, abordaram como o empreendedorismo pode contribuir para romper ciclos de dependência econômica e violência, além de fortalecer redes de apoio e capacitação.
Com moderação da coordenadora de Inovação do Itaipu Parquetec, Carol Bacchetta, as participantes destacaram que a autonomia financeira envolve mais do que geração de renda, incluindo a ampliação de escolhas, o fortalecimento familiar e comunitário e a superação de barreiras culturais e da sobrecarga de cuidados.
“A cultura é uma construção social, e é preciso desconstruir a naturalização de papéis que colocam mulheres a serviço dos homens, o que alimenta violências diversas. Instituições públicas como Itaipu têm o dever de liderar essa transformação, politizando pessoas e formando opiniões para uma sociedade mais equitativa”, afirmou Victoria.
Clerione Herther ressaltou a importância de redes colaborativas no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
“O empreendedorismo feminino não pode ser solitário. No Hangar Mulheres, criamos ecossistemas onde mulheres se unem, trocam experiências e superam barreiras como acesso a crédito e baixa autoestima, alcançando empreendedoras tradicionais e de inovação para romper vulnerabilidades”, disse.
A programação incluiu ainda a palestra “Masculinidades e Prevenção da Violência contra Mulheres”, conduzida pelo psicólogo Daniel Costa Lima, que abordou a necessidade de desconstrução de padrões masculinos associados à violência. Segundo ele, a educação de meninos é um dos caminhos para a construção de relações mais igualitárias.
O evento também apresentou o convênio “Escola Impulsionadora do Respeito às Meninas e Mulheres”, firmado entre Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec. A iniciativa tem como objetivo promover a educação para o respeito e a equidade desde o ambiente escolar, alinhando-se às ações institucionais de prevenção da violência e promoção da segurança das mulheres.