A Ajuda Popular Francesa (SPF) divulgou hoje os resultados de seu estudo anual sobre a pobreza no país, revelando que seis em cada dez entrevistados afirmaram conhecer ou estar próximos de uma situação de pobreza. A pesquisa, realizada em parceria com a Ipsos, destacou que o limite médio de pobreza na França foi fixado em 1.396 euros por mês, um aumento de 19 euros em relação ao ano passado, valor quase equivalente ao salário mínimo francês, que é de 1.398 euros.
O estudo apontou que 62% dos entrevistados relataram viver ou se aproximar de uma condição precária, um aumento de quatro pontos percentuais em comparação com 2023. Além disso, 47% dos franceses enfrentam dificuldades para pagar os custos de energia, enquanto 30% têm dificuldades em garantir uma alimentação saudável com três refeições diárias. A situação se agrava para 34% da população que enfrenta barreiras para acessar serviços de saúde, índice que sobe para 44% entre os residentes rurais.
De acordo com os dados apresentados, um em cada dois beneficiários é de origem estrangeira, enquanto a proporção de franceses assistidos com mais de 60 anos subiu de 6% para 13% nesse período. Essa mudança demográfica é alarmante, especialmente considerando que o combate à exclusão social entre os idosos é um dos principais objetivos das políticas de redução da pobreza.
Raphael Quartier, chefe de estudos estatísticos da associação Secours Catholique, apontou que as mulheres estão particularmente afetadas. A proporção de mulheres com 55 anos ou mais, aposentadas ou incapazes de trabalhar por questões de saúde, aumentou de 8% em 2012 para 11% em 2022.
Além disso, o relatório revelou que, entre os milhões de beneficiários atendidos pelo Secours Catholique no último ano, 25,7% eram mães solteiras, superando o número de homens solteiros (25%) e mulheres solteiras (20,9%). Casais com filhos representaram 19,9%, enquanto casais sem filhos e pais solteiros somaram 5,2% e 3,3%, respectivamente.
Os pedidos de assistência mais comuns incluíram consultoria administrativa (52,4%), produtos alimentícios (45,8%) e ajuda financeira para pagamento de aluguel e contas de energia (41,7%). Esses dados ressaltam a necessidade urgente de atenção e suporte para as populações mais vulneráveis da sociedade, especialmente em tempos de crescente dificuldade econômica.
Desafios em Tempos de Crise
Em relação às férias, quase metade dos entrevistados revelou que sair para aproveitar um mês de descanso é um desafio, percentual que aumenta para 57% entre os moradores de áreas rurais. Apesar desse cenário desolador, a SPF destacou que dois terços dos franceses ainda mantêm o desejo de se engajar em ações para ajudar os mais necessitados.
O estudo ressalta a urgência de políticas públicas eficazes para enfrentar o crescimento da pobreza e garantir condições dignas de vida para todos os cidadãos. A situação atual exige atenção redobrada, especialmente para as populações mais vulneráveis, que enfrentam desafios significativos em seu dia a dia.