A construção do orçamento municipal para 2026 começou a tomar forma nesta segunda-feira (30), durante audiência pública do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), realizada na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu. O encontro, promovido pela Comissão Mista e presidido pela vereadora Anice Gazzaoui (PP), teve como pauta o Projeto nº 85/2025, de autoria do Poder Executivo. Na ocasião, representantes dos poderes públicos, sindicatos, conselhos municipais e sociedade civil se reuniram para discutir as metas e prioridades que deverão nortear a aplicação dos recursos no próximo ano.
O prefeito General Silva e Luna (PL), presente na audiência, reforçou o compromisso com uma gestão estruturada e com foco em áreas estratégicas. “Estamos confiantes de que, no próximo ano, teremos um limite prudencial mais alto. A lógica da LDO é preparar a cidade para o futuro com investimentos em educação, saúde e no fortalecimento da infraestrutura. Foz precisa de obras estruturantes, mas, acima de tudo, de continuidade, previsibilidade e seriedade na gestão.” A vereadora Anice Gazzaoui destacou a importância da participação popular e da transparência no processo: “Hoje tivemos a presença de representantes do Executivo, secretários e lideranças de bairro. Política pública séria se constrói com diálogo e clareza”.
Investimentos prioritários: saúde, educação e folha de pagamento
Estiveram presentes representantes da OAB/Foz, de sindicatos como o SISMUFI e o SINPREFI, da ACIFI, CODEFOZ e COMTUR, além de secretários municipais e parlamentares de diversas siglas, como Paulo Debrito (PL), Adnan El Sayed (MDB), Valentina (PT), Yasmin Hachem (PV), entre outros.
Entre os temas levantados pelos vereadores, destaque para a saúde pública, os precatórios (dívidas judiciais do município) e a expansão urbana. O vereador Adnan El Sayed (PSD) fez um apelo por mais investimentos em atendimento infantil: “Precisamos com urgência de mais leitos de UTI pediátrica e de um pronto atendimento voltado exclusivamente às crianças”.
Já o vereador Evandro Ferreira (PSD) questionou se o município poderia leiloar precatórios para reduzir o impacto dessas dívidas. O vereador Soldado Fruet (PL), por sua vez, expressou preocupação com a infraestrutura dos novos loteamentos da cidade. Demandas da população também foram registradas, como o aumento do efetivo da Guarda Municipal e a contratação de professores via concurso público, pauta reforçada pela presidente do SINPREFI, Viviane Dotto, e pela vereadora Marcia Bachixte (MDB), diante da crescente demanda nos CMEIs.
Durante sua apresentação, o Diretor de Gestão Orçamentária, Darlei Finkler, destacou que a LDO é o ponto de partida para organizar e planejar a estrutura orçamentária do município. Ele apontou crescimento nas receitas provenientes de tributos como IPTU, ISS e ITBI, impulsionado pelo aquecimento do setor imobiliário local. Contudo, alertou sobre a frustração na arrecadação com royalties: “Não vamos atingir o valor previsto para este ano por conta da perda de uma das parcelas”. O IPVA segue estável, acompanhando a inflação (4,5%), e os repasses do SUS continuam voláteis, dependendo principalmente de emendas parlamentares. Em relação à tarifa do transporte coletivo, Finkler explicou: “O número de passageiros está aumentando, mas o de pagantes ainda não acompanha esse ritmo”.
Ainda segundo Finkler, a LDO 2026 prioriza fortemente os investimentos em saúde e educação. “Estimamos aplicar 25% da arrecadação de impostos na educação, o que corresponde a cerca de R$ 502 milhões. Já a saúde deve receber R$ 576 milhões, o equivalente a 33% da receita de impostos”, informou. O secretário municipal de Finanças e Orçamento, General Eduardo Garrido, reforçou a importância do debate: “É essencial que a sociedade compreenda quais são os principais gargalos do município para que possamos aprimorar o planejamento e responder às demandas com mais eficácia”.